13 Princípios

13 Princípios da Fé Judaica
Moshê Maimônides (1135-1204) é reconhecido como o mais famoso dos comentaristas judeus. Escritor aclamado, estimado filósofo, médico de renome e mestre talmúdico – este é seu legado. Sua obra magna, Mishnê Torá, é considerada até hoje como a mais conceituada e completa codificação da lei judaica, na qual explica nos fundamentos da crença judaica que a Torá é verdadeira.

Se uma pessoa negar qualquer preceito ou conceito da Torá é como se ele estivesse negando a Torá inteira, pois a Torá é uma unidade, uma só essência. Se uma pessoa desconhece algum princípio da Torá, ele é simplesmente considerado ignorante. Mas se alguém é ignorante em um dos Treze Princípios de Fé de Maimônides, então ele deixou de conhecer o que é Judaísmo.

Ao formular os Treze Princípios de Fé, Maimônides percorreu a literatura judaica sagrada, estabelecendo os principais pontos de afirmação e crença no D-us único e em Sua revelação a Moshê, o líder de nosso povo.

1. Creio com plena fé que D-us é o Criador de todas as criaturas e as dirige. Só Ele fez, faz e fará tudo;
Ao formular os Treze Princípios , o Rambam percorreu a literatura judaica inteira estabelecendo os principais pontos de afirmação e crença no D-us único e em Sua revelação a Moshê, o maior de todos os profetas .
O primeiro princípio é que D-us é o Criador de todas as criaturas e as dirige. Só Ele fez, faz e fará tudo;Diferente dos povos do mundo que comparam a criação Divina com a obra de um artista que depois de pintar um quadro poderia ir embora e sua obra de arte continuará existindo estando seu criador vivo ou não, muito diferente disso é a realidade da criação Divina, D-eus recria o mundo do nada a cada instante continuamente dirigindo-o de acordo com o seu referencial, e é isso que diz o Rambam com as palavras “Só Ele fez faz e fará, ou seja, a criação do mundo não foi uma ação que aconteceu a quase seis milênios mas é algo que acontece a cada instante. E D-eus recria tudo de acordo com a sua vontade, ou seja,dirige o mundo. Sobre como D-eus dirige o mundo vemos na Torá muitos exemplos. Um exemplo bonito é o que aconteceu quando Yossef foi nomeado Vice rei do Egito e tornou o Egito o país mais rico do mundo. Era de se esperar de uma maneire natural que os egípcios nos vissem como o povo que lhes trouxe a prosperidade . Mas o que aconteceu na prática ? Eles disseram que somos como espinhos aos seus olhos, nos escravizaram , jogaram nossas crianças recém nascidas no rio Nilo , nos fizeram construir Pitom e Ramses e nos deram trabalhos forçados. Na décima praga quando em cada casa egípcia havia um filho morto por causa de nós, era de se esperar que os egípcios não quisessem mais nos ver. E o que aconteceu na prática ? D-eus deu a simpatia do povo aos olhos dos egípcios e eles nos deram com muita alegria jóias, roupas caríssimas e etc. Aqui vemos que há uma interação Divina não só no mundo em geral mas também nos pensamentos e sentimentos das pessoas ! O grande cabalista ,o Ari Za”l explica que as almas judias que desceram para o Egito eram a reencarnação de três gerações . A geração que por meio de seus atos causou o diluvio, a geração que construiu a torre de babel para mostrar que não há D-eus no mundo e a geração de Sodoma e Gomorra. As crianças que nasceram e foram jogadas no rio eram a geração que causou o diluvio , os que tiveram que construir Pitom e Ramses eram os que tinham construído a torre de Babel, os que fizeram todos os trabalhos forçados eram a geração de Sodoma e Gomorra . D-eus colocou na cabeça dos egípcios esses pensamentos por causa da correção necessária pendente nessas almas, quando essas almas foram purificadas D-eus causou a simpatia do nosso povo aos olhos dos egípcios , ou seja, D-eus dirige o mundo .

2. Creio com plena fé que o Criador é Único. Não há unicidade igual à d’Ele. Só ele é nosso D-us; Ele sempre existiu, existe e existirá
O segundo princípio consiste em ser o Criador Único e não existir unicidade igual à dele. Só ele é nosso D-us; Ele sempre existiu, existe e existirá;
Quando falamos sobre Único, infinito , em primeiro lugar queremos dizer que tudo faz parte dele . Porque se dissermos que D-eus não está no lugar impuro estaremos dizendo que existem duas entidades, uma que só se encontra em lugares puros e outra é o próprio lugar impuro que será uma entidade por si só. Sendo que isso não é possível porque Ele é único teremos que entender sua unicidade por meio de alguns exemplos. Um exemplo foi dado pelo Baal Hatânia que comparou a existência do mundo em relação a D-eus como um raio de sol em relação ao próprio sol. Quando o sol está oculto ,esse raio de sol é visível,mas no próprio sol ele é irrelevante. Assim é o nosso mundo. Em relação a nós , a revelação Divina está oculta e estamos vendo o mundo como uma entidade a separada de D-eus, ou seja, o brilho do sol com o sol oculto, mas em relação a D-eus somos como o brilho do sol no próprio sol, ou seja, Irrelevantes . Por isso que o Rambam diz que D-eus sempre existiu, existe e existirá, diferente da nossa existência que é relevante em relação a ocultação Divina e irrelevante em relação a revelação Divina. Quando o Rambam diz que não há unicidade igual a dele se refere a isso, ou seja , relativo a nós o mundo é uma entidade separada do Criador, mas na verdade tudo é irrelevante em relação a D-eus que é o referencial correto.
D-eus é infinito e se encontra em todo lugar, então porque pela Halachá não podemos pensar em D-eus em determinados lugares como no banheiro por exemplo ? O motivo é ligado aos níveis de revelação Divina que são ocultos para nós. A revelação Divina no lugar impuro está tão oculta que lá é proibido até pensar em D-eus , e no lugar puro ela é menos oculta e lá devemos pensar em D-eus.
Exemplos da nossa limitação em relação a esses níveis de revelação Divina foram dados no Talmud. Um exemplo foi dado pelo Raban Gamaliel quando um romano lhe perguntou:- Vocês dizem que quando dez judeus se reúnem D-eus está lá, em muitos lugares vemos dez judeus se reunirem , então , quantos deuses vocês tem? O Raban Gamliel se espantou com a ignorância da pergunta , deu um tapinha nos ombros do seu empregado doméstico e lhe perguntou :- Porquê a casa do romano estava ensolarada hoje? O empregado se espantou com a banalidade da pergunta e respondeu :- O sol ilumina na casa de todo mundo ! Então , Disse Raban Gamliel :- Se até o sol que é um entre dezenas de milhares de criações Divinas pode estar em todos os lugares ao mesmo tempo, quanto mais o próprio Criador.
O Rebe sempre frisou que D-eus é a essência do bem e a natureza de quem é bom é fazer o bem e essa ocultação foi feita para que pudéssemos superá-la e chegar a um nível infinitamente superior ao nível anterior a ela.

3. Creio com plena fé que o Criador não é corpo. Conceitos físicos não se aplicam a Ele. Não há nada que se assemelhe a Ele;

“O Terceiro Princípio” O Criador não é corpo. Conceitos físicos não se aplicam a Ele. Não há nada que se assemelhe a Ele;
Quando falamos sobre diferenças entre matéria e Revelação Divina temos que entender que os conceitos espirituais estão tão acima do material que qualquer exemplo material dado sobre um assunto espiritual só serve para “acalmar o ouvido” como dizem nossos sábios. Quando morava em Haifa , Israel , vivia lá um grande rabino que no passado foi fazendeiro, trabalhava com um trator em um Kibutz e por fim foi estudar Torá e se tornou um grande rabino. Voltando para o Kibutz onde criavam vacas e ovelhas tentou explicar para os amigos assuntos cabalísticos extremamente profundos sempre sendo rudemente contestado com muitos palpites cuja fonte era uma ignorância profunda em relação a qualquer assunto espiritual. A linguagem era direta e grossa, até que ele próprio acabou sendo novamente envolvido pelo ambiente do qual fazia parte no passado e disse com uma voz determinada:- Vamos conversar sobre o que realmente entendemos, sobre vacas e ovelhas. Os ânimos se exaltaram, isso era realmente um assunto interessante ! O rabino pergunta , minha gente, porque a vaca faz omeletes e a ovelha azeitonas (referindo-se a forma que as fezes de cada animal é expelida.) Todos se calaram,ninguém sabia. Respondeu ele com uma voz entusiástica :- Minha gente, nem de mer…… (Se referindo às fezes dos animais) a gente entende, como podemos dar palpite sobre o que é uma revelação Divina.?
Ou seja , falar com um ser humano sobre o que é um “mundo da Yetzirá” (Baixo Paraíso) ou um “Mundo da Briá” (Alto Paraíso) e que revelações Divinas temos nessas grandes alturas espirituais é como por exemplo descrever para um cego que nasceu cego e só vê escuridão , contar para ele sobre tudo o que você viu nas suas ultimas férias ,paisagens maravilhosas que ele não tem como imaginar. Você vai contando para ele e no pensamento dele “preto mais preto é igual a preto” “escuro mais escuro é igual a escuro” e por fim ele te diz que já conseguiu imaginar tudo o que você contou.Você responde :- Querido, você não tem culpa, mas se você conseguiu imaginar saiba que não é isso! Simplesmente você pode ouvir mas não pode imaginar, tudo que você vai imaginar vai ser “preto mais preto é igual a preto”
Assim funciona o nosso pensamento , ” matéria mais matéria é igual a matéria ” e novamente “matéria mais matéria é igual a matéria” e voce acha que já sabe tudo! ou seja , espiritualmente falando “preto mais preto é igual a preto” se conseguimos com nosso pensamento imaginar o espiritual uma coisa já podemos ter certeza :- Que não era isso!!! Ou seja, o espiritual é tão bom, tão melhor , que não temos os sentidos para imaginá-lo .
Então simplesmente temos que saber que O Criador não é corpo. Conceitos físicos não se aplicam a Ele. Não há nada que se assemelhe a Ele;
Nosso principal problema é que desde pequenos damos forma ao que ouvimos (e sendo que são formas materiais consequentemente são erradas) e o nosso trabalho Divino principal é eliminar essas materializações dos assuntos espirituais e cada vez novamente nos conscientizar de que O Criador não é corpo. Conceitos físicos não se aplicam a Ele. Não há nada que se assemelhe a Ele !!!

4. Creio com plena fé que o Criador é o primeiro e o último;

“O Quarto Princípio”

0 Criador é o Primeiro e o Último

O Zohar explica que isso se refere a união de dois nomes de D-eus. Hashem (nos referimos assim ao Nome de quatro letras) e Elokim.
O Nome Elokim no seu valor numérico forma a palavra “natureza ” , para se referir a ele (de acordo com o exemplo que usamos chamando a Revelação Divina de “Luz Infinita”) é usado o nome de “Brilho” que representa um nível baixo de luz. Ele é o “Brilho” da Luz Divina que está por trás do fato dos mundos serem aparentemente separados de D-eus. Mesmo assim esse “Brilho Divino” é totalmente unido ao Nome que indica a “Revelação Divina Sobrenatural ” ,o Nome de quatro letras , esse é o segredo das palavras ” Eu sou o Primeiro e eu sou o Último”
O Zohar explica esses dois níveis básicos de Revelação Divina, o Nome de quatro letras se refere a um nível altíssimo de revelação Divina chamado de “Envolve todos os mundos” essa revelação é tão elevada que não pode se revelar dentro dos mundos para que eles não desapareçam mas “ilumina os mundos” de uma maneira oculta . O Nome Elokim se refere a um nível mais baixo de revelação Divina chamado de “Preenche todos os mundos” que por ser uma revelação Divina menos elevada pode “iluminar” de uma maneira revelada dentro dos mundos sem que eles desapareçam , dando a eles um aspecto de “como se fossem” coisas naturais. A isso se referem as palavras Divinas “Eu Sou o Primeiro (Envolve todos os mundos) e Eu Sou o Último (Preenche todos os mundos) querendo dizer que também a “Vitalidade” que D-eus ilumina de uma maneira revelada por causa das ocultações pela qual passou e portanto é chamada de “Preenche todos os mundos” com tudo isso ela não tem um aspecto de separação e existência própria (D-eus nos livre) mas ela é somente um nível da própria revelação Divina , portanto o nível Sobrenatural chamado de “Envolve todos os mundos” também é o “Preenche todos os mundos” e isso é representado pela frase “Eu Sou o Primeiro e Eu Sou O Último. Aos nossos olhos existe a natureza mas para Hashem tudo sempre foi uma coisa só, como no exemplo dos raios do sol . Em relação a nós eles são luz mas no próprio sol eles são irrelevantes. Para nós tudo existe, mas em relação a Revelação Divina representada pelo nome de quatro letras fazemos parte de Hashem como a luz do sol no próprio sol que é totalmente anulada em relação ao sol.
Vemos na Torá um exemplo interessante sobre esses diferentes níveis de revelação . Quando D-eus pediu para Moshe ir ao Egito tirar o povo de Israel da escravidão Moshe perguntou, :-Se eles me perguntarem qual é o seu Nome o que eu digo para eles ? D-eus falou para ele dizer o Nome de quatro letras. Mesmo que aparentemente uma pessoa naquela situação não se importaria tanto com esses detalhes, o importante era sair da escravidão . Quando Moshe disse ao Faraó que Hashem pediu para mandar o povo para o deserto o Faraó respondeu :-Não conheço Hashem (Nome de D-eus de quatro letras) O Faraó sabia muito bem quem era o D-eus dos Hebreus porque no passado quando Yossef disse à ele “Elokim” vai revelar os sonhos do Faraó , ele não disse que não conhecia esse D-eus. A intenção do Faraó era dizer que ele conhecia D-eus na revelação de “Elokim” a “Natureza” , “D-eus ajuda a quem se ajuda” um D-eus que ajuda a quem faz tudo de uma maneira natural, ara a terra, planta, colhe . Mas um D-eus que ajuda de uma maneira Sobrenatural, leva um povo inteiro para um lugar que não tem água nem comida, um D-eus que faz a comida cair do céu e se a pessoa ara a terra só atrapalha porque a comida cai no buraco, um D-eus em um aspecto Sobrenatural que faz as roupas crescerem nas pessoas e uma coluna de fogo iluminar o caminho para o povo, isso o Faraó não conhecia ! E por isso também que o povo precisaria saber com que Nome D-eus iria se revelar para eles. Se fosse com o nome de Elokim já não iria adiantar, somente conseguiriam sair de lá por meio da Revelação Divina Sobrenatural.

5. Creio com plena fé que é adequado orar somente ao Criador. Não se dever rezar para ninguém ou nada mais;

6. Creio com plena fé que todas as palavras dos profetas são autênticas;

7. Creio com plena fé que a profecia de Moshê Rabênu é verdadeira. Ele foi o mais importante de todos os profetas, antes e depois dele;

8. Creio com plena fé que toda a Torá que se encontra em nosso poder foi dada a Moshê Rabênu;

9. Creio com plena fé que esta Torá não será alterada e que nunca haverá outra dada pelo Criador;

10. Creio com plena fé que o Criador conhece todos os atos e pensamentos do ser humano;

11. Creio com plena fé que o Criador recompensa aqueles que cumprem Seus preceitos e pune quem os transgride;

12. Creio com plena fé na vinda de Mashiach. Mesmo que demore, esperarei por sua vinda a cada dia;

13. Creio com plena fé na Ressurreição dos Mortos que ocorrerá quando for do agrado do Criador.

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Agradeçemos à nossa voluntária Esther  pelo vídeo

7 comentários sobre “13 Princípios

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