Yud Tet Kislev, o dia dezenove do mês de Kislev, é uma data histórica nos anais da Chassidut em geral, e de Chassidut Chabad em especial.

Este dia significa uma notável reviravolta no crescimento e desenvolvimento do movimento Chassídico, sendo um marco em sua mais gloriosa marcha para a vitória através da história de sua existência, até os dias atuais.

Yud Tet Kislev é o dia no qual Rabi Shneur Zalman de Liadi, o Alter Rebe, foi libertado de seu rígido cárcere em Petersburgo, no ano de 5559 (1798). Sua detenção colocou em perigo não apenas sua vida, mas também o futuro do movimento chassídico. Conseqüentemente, o dia de sua libertação foi declarado entre os chassidim como um dia de celebração, observado até os dias de hoje com exuberante júbilo por centenas de milhares de judeus no mundo inteiro.

Yud Tet Kislev também é o dia de aniversário do passamento do segundo líder do movimento chassídico, Rabi Dov Ber, o santo Maguid de Mezritch; que faleceu a dezenove de Kislev de 5533 (1772).
O grande sábio e tsadic Rabi Shneur Zalman de Liadi, fundador e criador do chassidismo Chabad, é geralmente conhecido no mundo judaico por diversos epítetos: ‘o autor do Shulchan Aruch,’ ‘o autor do Tanya,’ ‘o Rabi de Liadi,’ ‘o Maguid de Liozna,’ e, entre os seguidores do movimento Chabad, com ‘o Alter Rebe.’

O Alter Rebe nasceu em dezoito de Elul de 5505 (1745) em Liozna, uma cidadezinha na Rússia Branca, não muito distante de Vitebsk que, à época, fazia parte da Polônia. Os velhos chassidim costumavam contar que ouviram de coetâneos do Báal Shem Tov que quando o Alter Rebe tinha três anos de idade, o Báal Shem Tov comentou com seus discípulos: “Uma grande alma desceu à terra: Shenê-Or (duas luzes). Ele disseminará a luz da Torá em ambos os aspectos, revelado e místico.”
Até os dez ou onze anos de idade, o jovem Shneur Zalman estudou sob a tutela de diversos grandes acadêmicos, especialmente com Rabi Yissachar Ber, o renomado Maguid de Lubavitch. Mal chegara aos doze anos quando Rabi Yissachar informou a seu pai, Rabi Baruch, que não mais poderia ensinar o rapaz, “pois é um gênio que não necessita mais de instrução.”

Um ano depois, por ocasião de seu Bar-mitsvá, os maiores sábios e eruditos de Torá da região expressaram sua admiração por seu prodígio, concedendo-lhe alto título em reconhecimento a seu vasto conhecimento e erudição.

Rabi Shneur Zalman continuou seus estudos sozinho com grande concentração, e “com a idade de dezoito anos completou, com todos os comentaristas anteriores e posteriores, todo o Talmud. No ano de 5537 completou o estudo do Talmud pela décima sexta vez, e fez isto de pé!” Além de seu dedicado estudo do Talmud, estudava Cabalá profundamente; compunha o Shulchan Aruch, realizava trabalho comunitário, viagens para orientação de comunidades locais e exercia numerosas outras atividades que demandavam tempo.

Aos dezoito anos, Rabi Shneur Zalman decidiu “peregrinar a um local de Torá.” Naquela época havia dois grandes luminares reluzindo no mundo judaico. Um raio de Torá emanava de Vilna, e um raio de Avodá (serviço Divino) originava-se de Mezritch, pequena cidade da região de Volin. Já sendo amplamente proficiente no conhecimento de Torá, Rabi Shneur Zalman foi atraído à luz da Avodá. Com o consentimento da esposa, partiu de Vitebsk para dirigir-se – a pé – para Mezritch.

Chegando a Mezritch, observou as maneiras do Maguid, sua forma de ensinar os caminhos da Avodá de acordo com a doutrina do chassidismo, ficando profundamente impressionado. Ficou atônito com a sabedoria e sagacidade do Maguid tanto no campo da Torá revelada quanto na parte oculta da Torá; e aprendeu a apreciar a santidade de seu grande Mestre.

Em contrapartida, o Maguid de Mezritch reconheceu as extraordinárias qualidades de seu novo discípulo, demonstrando-lhe consideração especial. Providenciou para que seu único filho, Rabi Avraham, “o Anjo,” instruísse o Rebe no chassidismo, enquanto esse instruía Rabi Avraham em assuntos talmúdicos e haláchicos.

Rabi Shneur Zalman tornou-se fervoroso adepto dos ensinamentos chassídicos do Maguid e do Báal Shem Tov. Após longa estadia em Mezritch, voltou a Vitebsk. À caminho de casa, parou em todas as comunidades e assentamentos judaicos pelos quais passou, a fim de contar acerca dos profundos conhecimentos do Maguid, e sobre seus caminhos da Avodá.

Certa vez, Rabi Yossef Yitschac de Lubavitch relatou o seguinte episódio acerca do relacionamento do Maguid com o Alter Rebe:

“Meu avô, Rabi de Avrutch, contou a meu pai algo que ouvira do avô de sua esposa, Rabi Motele de Chernobyl. ‘Meu pai,’ disse Rabi Motele, ‘disse-me que o Maguid considerava o Rav como se fosse seu próprio filho. O Maguid dissera certa vez a seu discípulo Rabi Zussia: escreva a nosso Gaon, Rabi Zalmenyu Litvak, para que venha para cá.
‘Desde então, o círculo de discípulos costumava chamá-lo de ‘Rav’; e quando o ‘Anjo’ contou a seu pai a respeito, esse respondeu que os discípulos acertaram em cheio na verdade. Há uma indicação disso, pois a decisão haláchica estará de acordo com o Rav, e o Shulchan Aruch do Rav será aceito como autoridade máxima por todo o povo judeu.

‘Quando Rav chegou, Rabi Zussia relatou-lhe como o Maguid o instruíra, dizendo: ‘escreva a nosso Gaon, para que venha’. Ao ouvir isto, Rav suspirou profundamente e desmaiou. Mesmo depois de ter sido reanimado, sentia-se fraco e teve de permanecer acamado. ‘Tudo isso aconteceu em Rovna, onde o Maguid residiu durante seus últimos anos, à época da grande convenção. Os discípulos, sabendo da profunda afeição de seu Mestre pelo Rav, não ousaram informá-lo de seu estado. Rabi Mendel de Vitebsk disse que não deveriam causar qualquer desgosto ao Maguid, e que era preciso encontrar alguma outra maneira. Porém, Rabi Levi Yitschac de Berditchev insistiu que deveriam contar ao mestre, e Rabi Mendel e Rabi Zussia apoiaram-no na decisão.

‘Ao ouvir o que aconteceu, o Maguid citou o versículo: ‘E D’us manteve isto em segredo de mim,’ (Melachim II, 4:27) e acrescentou: ‘Ele tem a sensibilidade de uma criança. Meu Mestre (o Báal Shem Tov) considerava-me como um filho, e ele (Rabi Shneur Zalman) é como um filho para mim.’ ‘Nenhum dos discípulos compreendeu o que o Maguid quis dizer com essas palavras até alguns dias antes que viesse a falecer.

Contou-lhes então: ‘Rabi Zalmenyu já percebeu no verão passado o que vocês estão sentindo agora.” E logo antes de falecer, pegou a mão de Rav e disse: ‘Yud Tet Kislev é nosso Yom Tov!'”
E realmente, no terceiro dia da semana da parashá de Vayêshev, a dezenove de Kislev de 5533, o Maguid faleceu. Exatamente no mesmo dia, vinte e seis anos depois, no terceiro dia da semana da parashá de Vayêshev, em dezenove de Kislev de 5559, o Alter Rebe foi libertado.

Rabi Dov Ber, o ‘Miteler Rebe’, lembrando-se daquele dia da libertação, disse certa vez que “durante a prece de Minchá, vi o Maguid de Mezritch, que me disse: ‘Seu pai acaba de ser libertado da prisão. Apesar de ainda estar sofrendo muito, mesmo agora, muito breve também será libertado desta agonia.'”
Este dia de Yud Tet Kislev foi instituído entre os chassidim de Chabad como um dia perpétuo de celebrações.

*(Fonte:pt.chabad.org)

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