Sabedoria do Rebe

“Os critérios chassídicos, baseados nos ensinamentos místicos do Rabi Yitschac Luria, explicam por que a influência da alimentação Casher é tão poderosa. Assumimos como certo o fato de que precisamos comer para viver. Porém, se a alma dá vida ao corpo, então por que precisamos de nutrição externa? Por que precisamos comer? Os filósofos gregos fizeram a mesma pergunta, mas não encontraram uma resposta satisfatória.

A questão se complica ainda mais quando consideramos que somos mais dependentes de matéria inanimada – ar e água – do que de plantas, e ainda mais de plantas do que de animais. A hierarquia da Criação parece invertida; normalmente, deveríamos esperar que, quanto mais força vital aparente em alguma coisa, mais vida aquilo seria capaz de conceder.

“Nem só de pão vive o homem, mas da palavra de D’us” (Devarim Vlll:3).

A explicação óbvia deste versículo é que o homem exige uma dimensão espiritual em sua vida, e não deveria viver apenas para comer, beber e saciar seus desejos físicos. Mas isto também pode ser interpretado de maneira bastante literal; não é o próprio alimento que dá vida, mas a centelha da Divindade – a “palavra de D’us” – que está nos alimentos.

O sistema digestivo extrai os nutrientes, enquanto a Neshamá, a alma, extrai a centelha Divina que se encontra na natureza. Estas “centelhas” provêm de uma fonte de Divindade mais elevada ainda que a Neshamá do homem.

A energia Divina em cada molécula de alimento é o que realmente nos dá vida. O alimento Casher possui uma poderosa energia que confere força intelectual e emocional. O judaísmo, através da cashrut bem como de todos demais preceitos da Torá, nos exercita diariamente a conectar o físico ao espiritual.

O ato de comer, dormir, acordar, caminhar e agir em todas as esferas de nossa vida está intrinsecamente ligado a elevação das centelhas Divinas que se encontram em nosso caminho. Comer ou beber é apenas uma ínfima, mas essencial, parcela de todas as ações que nos ajudam a entender e a nos aproximar um passo a mais do Criador.”

Através da cashrut, a Torá nos ensina como fazer com que o corpo seja um receptáculo apropriado para a alma, pois a comida casher é o alimento da nossa neshamá, uma vez que aumenta nossa sensibilidade espiritual, fazendo com que nossa capacidade de absorver Torá e Mistsvot aumente.

Através do versículo “Nem só de pão vive o homem, mas da palavra de D’us”, o Ari Zal  (Rabi Yitschac Luria) explicou que não é o alimento que dá a vida, mas sim a centelha de Divindade presente nele, pois toda matéria tem essas centelhas que dão vida e existência ao mundo. Quando comemos, nosso corpo absorve os nutrientes enquanto a nossa neshamá absorve as centelhas Divinas.

Portanto, a comida casher tem uma energia que nos dá força espiritual. Quando a pessoa se alimenta com um alimento casher e com a berachá apropriada, ela eleva aquele centelha de divindade presente no alimento.

(Agradecemos a http://www.pt.chabad.org pelo material disponibilizado em seu site) postado por Chaya Esther.

A Rebetsin Rivka estava com 18 anos e acabou adoecendo e o médico recomendou-lhe que comesse assim que acordasse. Como a Rebetsin rezava logo após despertar, ela passou a acordar mais cedo para rezar antes de fazer a refeição. Logo, ela não consumia nada antes da tefilá e passava a se alimentar cedo. Ainda assim, a Rebetsin continuava doente e agora também não dormia o tempo necessário. O Rebe Tsemach Tsedek, seu sogro, disse que um judeu deveria ser saudável. E sobre as mitsvot está escrito “e viverás com elas”, o que significa que se deve ter vitalidade, saúde e alegria para cumprir as mitsvot. E seu sogro conclui: “é melhor comer para rezar do que rezar para comer”. Ela seguiu o conselho do seu sogro e acabou se curando. Depois de estar com a saúde perfeita ela voltou a rezar antes de comer, com a aprovação de seu sogro.
Aqui rezar representa o mundo espiritual e comer representa o mundo material.
Podemos dividir em dois grupos de pessoas: existem aquelas que separam totalmente o mundo espiritual do material e aquelas que não os separam, sabendo que há uma ligação entre esses dois.
Para esse segundo grupo podemos avaliar a frase do Tsemach Tsedek que rezar para comer representa a pessoa que vive de acordo com a Halachá mas espera receber uma recompensa por isso, enquanto a pessoa que come para rezar representa quem vive de acordo com a Torá e as mitsvot, ou seja, ela encontra santidade em todas as suas ações, não esperando ser recompensada por elas já que ela possui consciência e reconhece que essa é a vontade de Hashem.
Daqui tiramos a conclusão que a pessoa deve comer para rezar, ou seja, as suas necessidades ligadas ao mundo material devem ser feitas com a intenção de quem reza, ou seja, colocando santidade nas coisas que ela faz que não são ligadas diretamente ao mundo espiritual.

O texto completo com mais algumas explicações se encontra em espanhol e pode ser acessado pelo link
http://www.tora.org.ar/contenido.asp?idcontenido=2171

Marcella Mantovani
marcella.fmantovani@gmail.com
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Faculdade de Engenharia Mecânica – Unicamp

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Sabedoria do Rebe
Por Esther Chaya Levenstein

Mais do que o Único Acima, Rosh Hashaná tem a ver conosco abaixo.

Ele criou o mundo. Mas nós o dirigimos para seu destino.

É por isso que é chamado de “o início de Seu trabalho” – mesmo não sendo o aniversário da criação do universo, mas do ser humano. Neste dia, acontece o verdadeiro início, bem como de todo o começo de toda coisa.

Por causa deste dia, mais que qualquer outro, nós temos o poder de escolher caminhos, de transformar nosso destino e, mais além, o destino de toda a criação. Por meio da gente, a mais densa escuridão que encobre a verdade e a bondade pode se tornar uma flamejante tocha de luz.

Tudo é definido pelo destino. Até o passado é redefinido pelo futuro para o qual suas setas estão apontadas. Mesmo o tempo que envolve o passado é recriado uma vez que é atingido seu destino oculto. Um destino que só você pode revelar.

Assim, tudo o que importa é agora, o primeiro dia.

Rosh Hashanah, dizia o Baal Shem Tov, é uma brincadeira de esconde-esconde. D-us Se esconde e a gente O acha.

Mas onde D-us pode Se esconder? Afinal, aonde quer que você vá, Ele está lá. Como diz o Zohar, “não há lugar sem Ele”.

Então, talvez o que o Baal Shem Tov quisesse dizer era mais uma brincadeira de “cucooo, achou!”, do tipo em que o pai ou a mãe esconde seu rosto atrás de suas próprias mãos diante do bebê. Dessa maneira, também D-us Se esconde no disfarce de um rei indiferente, julgando seus súditos com severidade, deixando até os anjos com um arrepio de pavor.

E nós procuramos. Nós procuramos o pai por trás da voz austera. Nós somos a criança pequena que tenta subir pelos braços do rei, arrancar a máscara e exclamar: “Papai!”

Aquele por quem estávamos justamente esperando.

O deleite está no âmago do coração e da mente. No centro de tudo.

Está bem no fundo da alma de um pai, o mesmo pai, cujo rosto é de pedra, e o coração, de gelo. Entretanto, sem dúvida, no fundo está a centelha da criança que um dia ele foi, sua alegria mais profunda.

Dentro da criança encontra-se aquela centelha do bem. Talvez ainda mais latente, ainda sem sequer um lampejo, mas suavemente ela queima dentro dele.

Uma faísca desperta. O outro ressoa, explodindo em chamas.

O mestre de todos está julgando o seu mundo. Ele aguarda o momento em que seus filhos vão chamá-lo de “Pai”.

Então, a centelha abaixo desperta a faísca acima, o prazer íntimo, e a vida se renova.

Rosh Hashanah é o início – não apenas deste ano novo, mas de todos os anos prévios.

Como pode ser? Porque neste dia você está autorizado a viajar de volta no tempo e ajustar o significado de tudo o que passou.

Na verdade, Ele é o Autor. Mas Ele nos colocou como editores. Nós nos adaptamos à história, transformamos o enredo. Ao transformar o que somos hoje, reescrever o nosso próprio passado, somos autores de um mundo totalmente novo.

O universo tem uma alma. Tudo o que existe na alma existe no espaço e no tempo.

Na alma cósmica há uma mente, uma consciência da qual toda consciência de vida é derivada.

No espaço, há a Terra de Israel, um lugar de onde todo o espaço é nutrido.

No tempo, há Rosh Hashaná, um tempo do qual todo o tempo é renovado.

Rosh Hashaná significa a Cabeça do Ano. Não apenas um ponto de início, mas uma cabeça.

Tudo o que irá surgir no ano que vem é concebido nesses dois dias.

Em Rosh Hashaná, nós chamamos D-us tanto de rei como de pai.

Rei, no sentido supremo da realeza: o Único que dita o que existe e o que não existe.

Pai, porque há algo d’Ele em cada um de nós – e, portanto, nós ditamos junto com ele.

Talvez, essas foram as palavras mais comuns do Rebe:

“O principal é: faça algo!”

Compartilhar não afeta apenas quem recebe, mas também você, o doador.

Além disso, não é somente importante quanto você dá, mas como. Cada ato de compartilhar o eleva e purifica um pouco mais.

Mantenha uma pequena caixa de tsedacá (caridade) em um lugar de sua casa e coloque nela algumas moedas diariamente. Mantenha uma em casa e outra no trabalho.

Oportunidade infinita

Compartilhar sempre

Cada momento,

cada atividade humana

é uma oportunidade para se conectar com o Infinito

Cada ato pode ser uma elevação da alma.

É somente seu arbítrio que permanecerá no caminho.

Mas assim que você quiser,

estará conectado.

Há compaixão que alimenta o ego e há a compaixão que o humilha.

Compaixão que alimenta o ego é o senso de piedade por aqueles que estão abaixo de você.

A compaixão que humilha nasce de uma profunda compreensão da ordem das coisas:

Quando você entende que seu companheiro está sofrendo, em vez de pensar que talvez você seja o privilegiado em ajudá-lo – então você será realmente humilde.

No momento em que você começa a medir as boas ações, a fim de determinar qual é a maior, qual tem prioridade sobre outra – você já terá entrado em um terreno precário, infértil.

Seu trabalho é fazer o que quer que seja enviado em seu caminho.

Na subida final,
ele se apega a qualquer rachadura ou fenda
para chegar ao topo.

E é onde estamos agora:
Qualquer faísca de luz que chega em seu caminho,
extraia tudo o que puder dela.

Tudo o que veio a ser …

… todos os mundos criados e todas as entidades etéreas que vivem neles, até mesmo os mundos que são meras emanações sem substância tangível, até mesmo os mundos do pensamento e para além dos reinos da Luz infinita que precederam a criação…

– tudo isso passou a existir apenas como resultado do pensamento de você, o ser terrestre, esforçando-se em um mundo que só um lampejo infinitesimal da Divindade chegou em sua pureza, trazendo Luz, onde a Luz não poderia estar.

E assim segue-se que, com um simples ato de beleza, todos os mundos e reinos de Luz encontram o seu propósito cumprido, e, assim, tornam-se ainda mais brilhantes e retribuem com uma explosão de iluminação em nosso mundo humilde.

É por isso que toda a criação pode ser transformada com um simples ato sincero.

Nunca subestime o poder da luz.

Um soldado israelense perdeu suas duas pernas quando uma mina terrestre, na Síria, explodiu debaixo do seu jipe.

Sua mãe foi vê-lo no hospital e chorou.

Seu pai sentou-se em silêncio.

Generais e líderes vieram e fizeram discursos sobre ele, proclamando-o um herói e alguém de quem se orgulhar.

Não houve condolência. As pessoas ainda o evitavam nas ruas.

O Rebe apertou sua mão, olhou diretamente em seus olhos e disse, “Obrigado.”

O “obrigado” ainda o está apoiando.

As pessoas são espelhos umas das outras.

Se você enxerga falhas em outra pessoa e elas o incomodam, na verdade, são as suas falhas que você vê.

E esta é uma grande bondade de D-us conosco, porque sem este efeito-espelho nós nunca seríamos capazes de determinar nossas verdadeiras falhas.

Almas Cobertas

Nossas almas não estão quebradas que precisam de reparo,

nem deficientes, que precisem de nada mais

Nossas almas precisam somente ser descobertas e ter permissão para brilhar..

Onde está a Verdade?

Quando a humanidade foi criada, a Verdade protestou
e foi jogado ao chão.
De lá, seus brotos saem.

Portanto, embora muitas coisas pareçam verdadeiras no espírito,
o derradeiro teste de Verdade é aqui na Terra.

A Luz foi ocultada. Mas sua Fonte, não.

A Fonte de Luz está em tudo.

Tudo o que existe é D-us e você.

Todo o resto é apenas uma ponte de ligação.

Há dois caminhos para você escolher: um mais fácil e outro mais difícil.

Sabendo que D-us está em tudo, você pode querer rejeitar todo o mundo. Uma vez que tudo é vazio, você pode negar a si próprio até mesmo suas necessidades, isolando-se e vivendo longe das banalidades da humanidade, envolvendo-se somente com as verdades do espírito, fugindo dos limites do físico, da vida mundana.

Esse é o caminho mais fácil.

Por outro lado, sabendo que dentro de cada coisa D-us pode ser encontrado, você pode ser inspirado a refinar e elevar nosso mundo, lutando com todas as suas forças para encontrar o seu verdadeiro propósito, agarrando todas as oportunidades para espremer um pouco mais do bem inerente do mundo, vivendo uma vida espiritual, usando as coisas físicas de uma forma esclarecida.

Ambos os caminhos são verdadeiros e grandes sábios trilharam os dois. Mas a segunda via é mais difícil, e é com a qual todos nós teremos o maior benefício, especialmente hoje.

As pessoas pensam que, para se unir à verdade, você tem de detonar rochas, mover montanhas e virar o mundo de cabeça para baixo. Não é só isso. A verdade pode ser encontrada em pequenas coisas.

Por outro lado, mover uma montanha requer alguma dinamite e alguns tratores. Para fazer essas pequenas coisas, pode-se levar uma vida inteira de trabalho interno.

Você pode escolher: aprender e meditar e rezar e trilhar os caminhos que você conhece e Ele o ajudará que em tudo o que você fizer haja Verdade.

Faça-se pequeno, e você será grande. Saiba que você não é nada, e você será infinito.

No mínimo, não faça de si mesmo algo tão grande, e você ficará muito mais perto da verdade.

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2 comentários sobre “Sabedoria do Rebe

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