No Sefer haMitsvot do Rambam, os mandamentos de amar e temer a D’us vêm logo em seguida aos dois mandamentos a respeito da crença em D’us. Colocá-los nesta ordem nos ensina que as mitsvot de amor a reverência a D’us são de fundamental importância em todo o esquema das mitsvot, pois não são apenas dois dos 613 mandamentos que animam e enriquecem todos os outros.


Amor e reverência a D’us são dois assuntos centrais na Chassidut Chabad, que às vezes são tratados como temas paralelos mas diferentes, e outras vezes como uma única idéia, duplamente facetada. Muitos aspectos e níveis destas duas emoções podem ser distinguidos, e cada qual encontra sua própria forma de expressão. Assim, seria muito útil se pudéssemos dar uma idéia do assunto para ajudar a determinar qual o aspecto e qual o nível aos quais se refere o ensinamento específico.

A Reverência a D’us

Como exemplo, examinemos a emoção do temor: Quando a Torá declara: “Tema o Eterno, teu D’us” – a Halachá exige “que temamos sempre o castigo”. Este é o nível mínimo de temor exigido de uma pessoa. Ele intimida a pessoa o suficiente para impedi-la de pecar. No entanto, no capítulo três do Tanya somos apresentados a um nível muito mais profundo de temor – a reverência pela Divina Majestade de D’us, de modo que a pessoa ficará “reverente e humilde perante Sua bendita grandeza, que não tem fim ou limite.” Da mesma forma que alguém deveria sentir-se envergonhado por agir de maneira inadequada perante uma pessoa importante e distinta a quem respeita muito, deveria ficar envergonhado de fazer o mal na presença de D’us. Quando uma pessoa se vê como estando perto do Rei, está consciente de que D’us está à sua frente, por assim dizer, e se coloca perante D’us. Ele ficará, portanto, extremamente envergonhado de fazer algo contra a vontade de D’us.

De maneira ainda mais profunda, se desejamos identificar os fatores psíquicos que provocam estas emoções, talvez fiquemos surpresos de saber que o medo da punição deriva da kelipá nogá, pois esta está permeada com preocupações pessoais. Por outro lado, a reverência pela majestade de D’us é produzida pelos esforços da alma Divina ao contemplar a grandeza do Eterno, bendito seja.

O Amor a D’us

As exigências da Halachá para cumprir o mandamento “Amarás o Senhor teu D’us” são apenas para a pessoa avaliar os mandamentos do Criador e Suas obras, até que atinja um nível de entendimento deles que desperte o deleite. Rabi Shneur Zalman, no entanto, nos leva a um nível mais profundo de amor, meditando sobre aqueles temas que fazem brotar em seu coração “um amor intenso, como chamas ardentes… rumo à grandeza do Infinito.” Este amor é comparado a um fogo ardente, pois quando a pessoa contempla como está distante de D’us, é despertado em sua alma uma sede e uma ânsia por D’us.

O intenso amor a D’us deve ser como o Tanya o descreve: com um “amor apaixonado” que o imerge unicamente em seu Amado; e com um “desejo ansioso” que é a expressão do deleite de sua alma e do entusiasmo nos assuntos sagrados pelos quais ele anseia; e com “saudade” que é comparado ao amor de uma mulher por seu marido (ao contrário do amor de um filho pelo pai); e com uma “alma ansiosa” que aspira a unir-se com seu Criador. Esta ânsia é tão poderosa que nenhuma barreira pode impedi-la de procurar o objeto de seu desejo. Este é o elevado estado de arrebatamento e a paixão consumidora da alma por D’us, à qual o Rei David se refere nos versículos em Tehilim: “Minha alma anseia [por Ti]; de fato, ela desmaia…” E: “Minha alma está sedenta por D’us…” E novamente: “Minha alma tem sede de Ti…”

Em termos do temperamento da alma “esta sede é derivada do elemento do Fogo na alma Divina.” Como explicamos anteriormente, as quatro qualidades elementares da alma – Fogo, Água, Ar e Terra – aplicam-se tanto à alma Divina quanto à alma animalesca. As obras cabalistas explicam que o assento do elemento do Fogo está no coração, ao passo que a fonte do elemento da Água e umidade está no cérebro. Quando uma pessoa está com muita sede faz grandes esforços para encontrar água para matar a sede; da mesma forma, quando a alma anseia por Divindade, não pode ser satisfeita somente com este amor ansioso – sua sede pode ser saciada somente com “água”. E Nossos Sábios declaram: “Não há água [para a alma] que não seja a Torá.” Ou, como está expresso na Cabalá, o elemento do fogo em seu coração pode ser resfriado apenas pelo elemento da Água no cérebro.

* ( Fonte: pt.chabad.org.br )

Purim

Por trás dos bastidores da Meguilá

Pergunta o Zohar: porque aquela geração teve que passar por um susto desses? E a resposta do Zohar é: porque eles tiveram o prazer em participar da festa daquele criminoso que era Ahashverosh, o Rei da Pérsia.

Mas esse motivo sozinho, diz o Zohar, ainda não seria o suficiente para justificar um susto dessa proporção. Então o próprio Zohar traz mais um motivo: Aquela geração é a mesma que tinha se prostrado na frente da estátua de Nabucodonosor antes dos persas conquistarem a Babilônia

Ou seja, aquela geração tinha uma pendência anterior de ter se prostrado na frente da estátua de Nabucodonosor mesmo sem acreditar nisso, e tiveram a oportunidade de retificar essa transgressão se não tivessem participado da festa que Ahashverosh fez para todos os habitantes de Shushan Habirá

Naquela festa Ahashverosh se vestiu com as roupas do Cohen Gadol e distribuiu vinho nos copos de ouro do Beit Hamikdash, expressando dessa maneira que a nossa religião é um assunto puramente cultural, somente um folklore, mas que não tem um D’us de verdade que interage com a sua criação dando um prêmio para quem faz o bem e um castigo para quem faz o mal

Então aparece um Haman que faz um decreto de morte à todos os judeus que professam a religião judaica colocando todo o nosso povo em uma situação de morrer como judeus ou salvar a própria vida trocando de religião

Por trás do decreto de Haman

A Meguilá nos conta que em Shushan Habirá havia um judeu, e o seu nome era Mordehai ben Yair ben Shim’i ben Kish e ele era da tribo de Biniamin

Surge a pergunta: Se ele era da tribo de Biniamin, porque ele é chamado de judeu que é alguém que pertence à tribo de Judá?

Explica a Guemará que a palavra “Judeu” recai sobre todos aqueles que não se prostram na frente da idolatria, e portanto tanto os Cohanim quanto os Leviim daquela época foram chamados de judeus pelo motivo de professarem a religião judaica e não se curvarem na frente da idolatria, e não pelo motivo de pertencerem à tribo de Judá

O Midrash nos conta que Haman, à exemplo do faraó do Egito e de Nabucodonosor rei da Babilônia, se considerou um deus. E por isso Mordehai não se prostrava na frente dele mesmo sendo isso uma ordem do Rei

O Ralbag, um grande Rabino da idade média, nos conta que explicaram para Haman que Mordehai não pode se prostrar na frente dele por motivos religiosos, por ser judeu, e que por esse motivo Haman decidiu fazer um decreto de morte à todos os judeus,  ou seja, à todos os que professam a religião judaica!

Mas se um judeu se convertesse à outras religiões, para Haman ele não seria mais judeu, e esse decreto não recairia mais sobre ele

O povo de Israel se manteve firme na sua religião mesmo consciente de todas as consequências, sendo que aquele decreto foi feito para todos os 127 países do mundo que naquela época pertenciam ao império persa e não tinha para onde fugir. Ou seja, todos os judeus estavam dispostos a morrer pela nossa religião

Diz a Guemará que quando nós fazemos Teshuvá e voltamos a nos comportar de acordo com a Torá, descobrimos que D’us já tinha criado o remédio antes de criar a doença.

Ou seja, D’us cria a solução antes de criar o problema, e por meio da nossa Teshuvá Hashem nos revela a solução

Antes de Haman fazer o decreto contra o nosso povo aconteceram algumas coisas que somente depois do decreto vimos que aqueles acontecimentos tinham sido milagres sobrenaturais e indispensáveis para a nossa salvação

Vashti, a rainha da Pérsia, vinha de uma linhagem real, ela era a neta do rei da Babilônia.

Quando Ahashverosh se casou com ela, ele também entrou na família real, e portanto ela era o motivo da sua realeza e a última pessoa no mundo a quem ele teria interesse em prejudicar

No sétimo dia do banquete que Ahashverosh fez para os habitantes de Shushan, banquete no qual ele expressou que a profecia do profeta Yermiahu (Jeremias) de os judeus voltarem para Jerusalém depois de setenta anos não aconteceu e portanto esse profeta é falso e esse D’us não existe, ele mandou os sete ministros da Babilônia chamarem a rainha Vashti para mostrar toda a sua beleza no banquete dos homens

Aquele dia era Shabat. A rainha Vashti, uma antissemita diplomada e pós graduada que propositalmente contratava jovens judias para fazer com que elas profanassem o Shabat, e quando elas se recusavam eram obrigadas a desfilarem por toda a cidade nuas e montadas a um cavalo

Essa mesma rainha Vashti é chamada pelo Rei para desfilar totalmente nua no Shabat no banquete dos homens, mostrando que esse D’us que está sendo proclamado nesse mesmo banquete como “inexistente” está interagindo no mundo e fazendo as coisas mais surreais acontecerem como se fossem as coisas mais naturais

Hashem fez um milagre e a rainha Vashti antes da sua “apresentação” tem uma grave doença estética e não pode se apresentar. Um dos sete ministros, que de acordo com o Midrash era o próprio Haman, aconselhou o rei a matar a rainha por ter desobedecido o rei e ter dado um mau exemplo para o povo

O Rei, ao contrário da sua própria ideologia, manda matar a rainha Vashti, fazendo com que a profecia do próprio profeta Yermiahu sobre a Babilônia que incluía a morte da neta do rei da Babilônia acontecesse,

Yermiahu era esse profeta que o rei estava desacreditando no seu banquete pelo fato de o próprio rei ter errado na conta de setenta anos que o profeta Yermiahu fez, e não pelo profeta ter errado

Afinal das contas com esse grande milagre sobrenatural que aconteceu sem que ninguém percebesse, o “status quo” mais sólido da época foi destruído abrindo as portas para uma grande mudança

Quando passou a fúria do rei ele teve um grande remorso pelo que fez, por ter matado a sua rainha, demonstrando que tudo tinha acontecido por um motivo superior a própria vontade dele.

Vendo a tristeza do rei, seus servos o aconselharam a fazer um concurso de miss universo entre todos os 127 países para encontrar a mulher mais bonita do mundo e se casar com ela

A nova rainha, mais um milagre surreal

A Guemará nos conta que Ester era esverdeada e só por milagre alguém poderia achar ela bonita. Hashem fez um milagre surreal e todos acharam que ela era a mulher mais bonita do mundo

Ester era uma judia religiosa que não entendia nada sobre relações íntimas, e a parte mais importante desse concurso era passar uma noite com o rei.

Diz o Ari Zal que uma demonia em forma humana substituía Ester nessas horas e deixava o rei “louquinho”.

Ou seja, a artista principal é substituída por alguém muito parecida para as cenas de “perigo”, e nesse caso, essa personagem espiritual negativa se materializava na aparência perfeita de Ester

Bigtan e Teresh

Mordehai era membro do grande tribunal rabínico de Yerushaláim conhecido como Sanedrin. Lá cada pessoa era ouvida na sua própria língua, e o Sábio que não soubesse setenta línguas não era aceito como membro do tribunal

Dois funcionários públicos de Ahashverosh provenientes de um país distante com uma língua rara que ninguém conhecia a não ser quem era de lá, conversaram entre si na frente de Mordehai e planejaram assassinar o rei.

Ninguém conhecia essa língua, fora Mordehai, e a pessoa mais interessada no mundo em receber essa informação era o próprio Mordehai, e tudo isso acontece na frente dele por milagre surreal

Porque se eles assassinassem o rei que não tinha um filho para o suceder, a segunda figura na corte era Haman e o decreto contra o nosso povo aconteceria sem impecilhos. O único jeito de anular o decreto de Haman era por meio do rei, e esse rei quase foi assassinado se não fosse esse milagre.

Mordehai repassa essa informação para Ester que a repassa para o rei em nome de Mordehai, e esse fator vai ser importantíssimo para mudar o imutável “Status quo” de Haman ser a pessoa tomadora das decisões da potência mundial  que domina o mundo inteiro

Nossos profetas e o anel do rei

A Guemará nos conta que desde que o povo de Israel recebeu a Torá até a época em que aconteceu o milagre de Purim, nosso povo teve 48 profetas e sete profetizas que fizeram o possível e o impossível para nos trazer de volta ao judaísmo e não conseguiram, mas quando Ahashverosh tirou seu anel e o entregou à Haman para fazer os seus decretos, nosso povo fez Teshuvá

Mordehai pede para Ester pedir ao rei para anular o decreto. Ela responde que o rei não a chamou já faz um mês, e todo aquele que entrar no pátio do rei sem ser convidado é condenado à morte, e como sabemos, a rainha Vashti tinha sido executada por muito menos do que isso

Só há um jeito de a pessoa sobreviver, que é o rei abrindo uma excessão e estendendo seu cedro de ouro para aquela pessoa, e Ester não queria se arriscar.

Mordehai pede para ela fazer isso de qualquer maneira. Então ela pede para Mordehai reunir todos os judeus da cidade e fazer três dias de jejum e rezas, e ela e as suas jovens ajudantes também vão fazer igual

Todo o povo faz Teshuvá, e depois de três dias de jejum e rezas Ester entra no pátio do rei sem ser chamada

Sabemos que esse rei era obsecado por mulheres bonitas e não existe pessoa mais feia no mundo como alguém que está três dias sem comer, como nos lembram as “vacas magras” do Egito, feias e ruins

Hashem faz um milagre surreal e desperta no rei uma enorme paixão por Ester, e ele diz que ela pode pedir qualquer coisa até metade do império. Ela diz que veio convidá-lo para o banquete que ela fez para Haman…

O plano de Ester

Ester queria que o rei perguntasse à si próprio: será que uma pessoa normal arriscaria a própria vida para convidar alguém para uma festa que ela está fazendo para outra pessoa? E dessa maneira despertar os ciúmes do rei em relação à Haman.

O rei suspeitando de alguma coisa entre os dois entraria em pânico sendo que se o rei fosse assassinado e Haman se casasse com a rainha, o império continuaria funcionando sem nenhum problema, ninguém precisaria mais do rei e ele seria esquecido

No final do banquete o rei oferece à Ester até metade do reino, e ela pede para ele vir amanhã também no próximo banquete que ela vai fazer para Haman

Naquela noite o Rei não conseguiu dormir. Ele se questionou : “Porque ninguém passaria para ele a informação de que alguém poderia estar querendo assassiná-lo? “

Talvez alguma vez alguém já salvou a vida do rei e o rei não fez nenhuma honraria para aquela pessoa, e por isso ninguém mais estaria motivado para passar alguma informação que salvasse a vida do rei?

Com esses pensamentos atrapalhando o seu sono ele pede para lerem na frente dele o “diário” dos principais acontecimentos do reino. Com certeza muitas páginas se passaram desde que Mordehai salvou a vida do rei e nada foi dado à ele, e milagrosamente o longo pergaminho se abre por si só naquela página

O rei pergunta se Mordehai recebeu algo por ter salvo a vida do rei e a resposta é negativa. O rei pergunta se há alguém esperando ele no pátio, e lá estava só Haman esperando para pedir permissão ao rei para enforcar Mordehai em uma forca de cinquenta metros de altura que ele preparou no pátio da sua casa para enforcar Mordehai.

Por incrível que pareça o fato de ele ter mandado construir essa forca tão alta no pátio da sua casa para enforcar Mordehai também entra na lista dos milagres da Meguilá, porque se não fosse essa forca Haman não seria enforcado

O Rei pergunta para Haman o que fazer para a pessoa que o Rei tem interesse na sua honra. Haman imagina que obviamente está se tratando somente dele, e pode para vestir essa pessoa de rei, montá-lo no cavalo do rei e um dos maiores ministros levá-lo para um desfile em toda a cidade proclamando na sua frente que esse é o homem que o rei está interessado na sua honra, o homen que salvou a vida do rei. O rei pede para Haman fazer tudo isso para Mordehai

Naquela noite, no segundo banquete de Ester, o Rei pergunta à ela qual é o seu pedido até a metade do império. Aí ela declara que ela quer a própria vida de presente, porque ela e o povo dela foram vendidos para serem mortos

O Rei fica furioso e pergunta: quem teve a ousadia de fazer uma coisa assim? E ela diz: um homem sádico e inimigo, Haman, esse criminoso

O rei saiu um pouquinho para o Jardim, e quando volta vê Haman deitado sobre o divã de Ester pedindo desculpas para ela.

O rei que já estava com medo desse “relacionamento” desde que Ester arriscou a própria vida para convidar o rei ao banquete que fez para Haman, exclamou: e também violentar a rainha comigo em casa?

Sendo que essa palavra saiu da boca do rei, já seria um bom motivo para Haman ser condenado, mas sendo que o “status quo” de Haman como primeiro ministro da Pérsia era muito sólido, o rei ainda poderia se acalmar e entrar em um acordo com Haman.

Nessa hora vimos o milagre de Haman ter feito a forca para Mordehai. Hashem faz mais um milagre surreal e Eliahu Hanavi aparece em forma material de um dos encarregados do rei, aponta para a forca de 25 metros visível da casa de Haman e diz ao rei: olha também a forca que fez Haman para Mordehai que salvou a vida do rei, 25 metros de altura.

O reflexo imediato do rei é ordenar o enforcamento de Haman na forca que ele preparou para Mordehai, nos mostrando que: se faltou criar alguma parte do “remédio antes da doença” Hashem dá um jeitinho e sempre manda Eliahu Hanavi em um caso de emergência

Mais um milagre surreal, o decreto do Rei não pode ser revogado e os judeus são obrigados a matar os antissemitas

Você poderia imaginar que simplesmente fomos salvos mas que os 127 países do império persa seriam como nosso estado de Israel de hoje com setenta anos de existência e cada vez mais atentados terroristas. Mas não,o milagre foi muito maior do que isso

Ahashverosh não tinha como revogar o próprio decreto de morte aos judeus incluindo sua própria rainha, e por isso deu o seu anel para Mordehai fazer o decreto contra os antissemitas que era o único jeito de resolver o problema.

O rei deu a casa de Haman para Ester e Ester colocou nela Mordehai. Haman tinha sido enforcado, e quando os 127 países receberam o decreto do rei escrito por Mordehai autorizando aos judeus de matarem todos os seus inimigos e compararam com o decreto de Haman vigente para a mesma data aonde os inimigos dos judeus poderiam matar os judeus, levaram em conta que Haman estava enforcado, a rainha era judia e o novo primeiro ministro da Pérsia era o Rabino Mordehai que recebeu da rainha a casa de Haman, e com certeza ninguém queria se complicar com esse novo governo.

Nem precisamos dizer que nosso povo se defendeu dos seus inimigos, 75.800 antissemitas foram mortos e todos os povos de todo o império ficaram nossos amigos

Os mandamentos da Festa de Purim

Purim, celebrada no 14o dia do mês de Adar, é A DATA mais alegre do ano judaico. Comemora a milagrosa salvação do Povo Judeu na antiga Pérsia da trama de Haman para “destruir, matar e aniquilar todos os judeus, jovens e idosos, crianças e mulheres, em um único dia”.

São quatro as mitzvot (mandamentos Divinos) básicas associadas com a festa de Purim. Apesar de não ser um Yom Tov, um dia sagrado – já que não há restrições como no Shabat ou nas festas bíblicas (Rosh Hashaná, Yom Kipur, Sucot, Pessach e Shavuot) –, deve-se, se possível, tirar o dia de folga do trabalho para celebrar essa festividade alegre e, assim, poder cumprir seus mandamentos de forma adequada.

É importante lembrar que no calendário judaico, o novo dia começa ao pôr-do-sol. Purim, portanto, que é uma festa de um só dia, se inicia ao anoitecer e termina no dia seguinte, com o cair da noite. Excetuando-se o mandamento de ouvir a leitura da Meguilá, que deve ser lida à noite e novamente no dia de Purim, os outros três mandamentos da festa são realizados durante o dia.

1º mandamento: Ouvir a leitura da Meguilá

A Meguilat Esther, um dos livros do Tanach (Torá, Profetas e Escritos Sagrados) conta-nos a história de Purim. Como mencionamos acima, há o mandamento de ouvir a leitura da Meguilá duas vezes durante a festa: na noite e, novamente, no dia de Purim.

O mandamento de ouvir a leitura da Meguilá se aplica a homens e mulheres. É preferível que seja feita na presença de um minyan. Como uma das razões para a leitura é divulgar os milagres celebrados nesse dia, o fato de ser feita na sinagoga permite que o mandamento seja cumprido da melhor forma.

Ouvir essa leitura é tão importante que tem precedência sobre o cumprimento de todos os demais mandamentos positivos da Torá. Isso significa que mesmo quem estuda a Torá durante o dia todo, deve interromper seus estudos para ouvir a Meguilá. A única mitzvá que não é suspensa para a leitura da Meguilá é o enterro de uma pessoa que foi encontrada morta e não tem quem a enterre.

A leitura é feita a partir de um rolo de pergaminho escrito à mão. Para cumprir o mandamento, é necessário ouvir cada uma das palavras. O ideal é que todos os que estão na sinagoga tenham uma Meguilá manuscrita sobre pergaminho diante de si para poder acompanhar a leitura. Desta forma, tem-se a certeza de que mesmo quem não conseguiu ouvir uma ou outra palavra, poderá ler sozinho e, assim, cumprir o mandamento. Quem não tiver uma Meguilá manuscrita, deverá ler de uma impressa.

2º mandamento: Dar presentes aos carentes (Matanot LaEvyonim)

Um dos temas primordiais de Purim é a união do Povo Judeu. O notório antissemita Haman, primeiro-ministro do rei persa Achashverosh, tentou matar todos os judeus, sem exceção – homens, mulheres e crianças. Não fazia distinção entre os judeus; para ele, todos eram iguais – e cada um deles tinha que ser exterminado. Pouco lhe importava se eram religiosos, eruditos, bem-sucedidos – ou não. Como todos eles viviam sob o domínio do Rei Achashverosh, a “Solução Final para a Questão Judaica” de Haman se aplicava a cada um deles. E juntos, eles enfrentaram essa ameaça à sua existência. Oraram e jejuaram juntos. E juntos prevaleceram contra seus inimigos. Assim, em Purim, todos os judeus celebram juntos. Se Haman, o Hitler da Antiguidade, nos ensinou algo, esse algo foi que, apesar de nossas diferenças e discórdias – nosso grau de observância religiosa, nossas tendências políticas, se somos sefaraditas ou asquenazitas, se vivemos em Israel ou na Diáspora –, nós, judeus, somos um povo indivisível. Nossos inimigos – antigos e atuais – não fazem distinção entre nós. Às vezes, como nesse caso, até a maldade personificada tem algo a nos ensinar – ou seja, que não há distinção real entre os judeus, pois todos os Filhos de Israel constituem um só organismo.

Outro tema importante em Purim é a sobrevivência física do Povo Judeu. Se Chanucá celebra o triunfo do Judaísmo, Purim comemora eventos bem mais dramáticos e extremos. Haman não estava interessado em converter ou assimilar nosso povo, como os sírio-gregos. Ele queria realizar o que seu “filho espiritual” quase conseguiu, dois milênios mais tarde: extirpar todos os judeus da face da Terra. Assim sendo, enquanto Chanucá celebra uma vitória militar em guerra travada por razões espirituais, Purim comemora a existência física do Povo Judeu.

Como Purim comemora a sobrevivência física do Povo Judeu, celebramos essa festa contribuindo para o bem-estar físico dos demais judeus, em especial, dos mais necessitados. O mandamento da Tzedacá, a mitzvá mais importante da Torá, se aplica a todos os dias do ano nos quais a Torá nos permite usar dinheiro. O judaísmo nos ordena ser generosos e empenhar-nos em ajudar os demais ao nosso máximo – a judeus e não judeus. Mas em Purim, o mandamento da Tzedacá é especialmente enfatizado; temos que ser generosos com todos os que buscam ajuda.

Um dos quatro mandamentos dessa festa é dar Matanot LaEvyonim, literalmente, “presentes aos carentes”. Devemos dar Tzedacá a duas pessoas necessitadas, no mínimo. Isso pode ser cumprido por meio de qualquer tipo de presente: dinheiro, alimento, bebida ou roupa. O ideal é que seja um presente substancial. Os Matanot LaEvyonim devem ser dados durante o dia de Purim e, de preferência, na parte da manhã, para que quem os recebe possa usufruí-los durante a festa. A quantia dada deve ser suficiente para que comprem alimento e bebida, dessa forma possibilitando que tenham uma refeição festiva nesse dia. Contudo, quem recebe o presente não é obrigado a gastar o dinheiro em Purim: pode usá-lo em outra data e da forma que quiser.

Os Matanot LaEvyonim não devem ser dados antes de Purim, para que quem os recebe não os utilizem antes da festa – pois nesse caso, o doador não teria cumprido o mandamento.

Quem não deparar com pessoas carentes em Purim, deve doar o dinheiro a uma sinagoga que esteja arrecadando fundos com esse propósito. É necessário que o dinheiro dado em Purim seja destinado aos necessitados: não pode ser usado para nenhum outro propósito, por mais nobre ou sagrada que seja a finalidade.

Em Purim, doamos dinheiro a quem o pede: não fazemos perguntas nem procuramos saber se quem pede a Tzedacá realmente a necessita ou não.

O mandamento de Matanot LaEvyonim é dever de todos os judeus – homens, mulheres e até crianças.

3º mandamento: Enviar presentes de alimentos para amigos (Mishloach Manot)

Como explicamos acima, Purim celebra a unidade judaica e a sobrevivência física do Povo Judeu. Por isso, os mandamentos relativos à festa enfatizam e buscam promover a amizade e o senso de comunidade. Uma das formas de o fazer é cumprir o mandamento de Mishloach Manot: o envio de presentes de alimentos a amigos e conhecidos.

Essa mitzvá é cumprida mediante o envio de um presente contendo, no mínimo, dois tipos diferentes de alimentos prontos ou bebidas a, pelo menos, um amigo ou conhecido. Para cumprir essa obrigação, os alimentos devem ser prontos para o consumo, como biscoitos, frutas, doces, vinho ou outras bebidas. É importante observar que esse mandamento não pode ser cumprido com dinheiro ou outro tipo de presentes. É louvável enviar os Mishloach Manot ao máximo de amigos possível. E mais, é adequado que sejam substanciais ao ponto de denotar respeito. Portanto, devemos atentar para não enviar um presente de alimentos qualquer para que não seja insulto a quem o recebe.

É importante ressaltar que ao cumprirmos os mandamentos de Purim, devemos ser mais generosos nos presentes para os carentes do que nos presentes de alimentos para os amigos. Devemos priorizar os Matanot LaEvyonim ao alocar a verbaque iremos gastar no cumprimento dessas mitzvot. É muito mais importante ser generoso com os necessitados do que enviar Mishloach Manot elegantes e caros aos amigos.

O mandamento de Mishloach Manot deve ser cumprido durante o dia de Purim, não na noite da festa. Os homens enviam Mishloach Manot a homens; as mulheres, a mulheres. É preferível que os presentes de alimentos sejam entregues por um terceiro – e não diretamente. Apesar de haver uma regra geral na Torá de que é preferível cumprir a mitzvá em pessoa a delegá-la a um terceiro, esse mandamento é diferente, pois a expressão Mishloach Manot usada na Meguilat Esther implica que essa mitzvá em particular é mais adequadamente cumprida se realizada por meio de um intermediário. (Mishloach significa envio). No entanto, se a pessoa entregar seus presentes de alimentos pessoalmente, terá cumprido plenamente o mandamento.

4º mandamento: Refeição festiva no dia de Purim (Seudat Purim)

Um dos mandamentos da festa é fazer uma refeição festiva – uma Seudat Purim. Isso celebra o fato de que na história de Purim, a queda de Haman ocorreu durante um banquete organizado pela Rainha Esther. Essa refeição deve ocorrer durante o dia; aquele que realiza uma Seudat Purim durante a noite da festa não cumpriu o mandamento. No entanto, após ouvir a leitura noturna da Meguilá, deve-se também festejar e fazer uma refeição mais elaborada que de costume.

É importante observar que como Purim não é um Yom Tov, não se recita o Kidush nessa festividade. Contudo, antes de iniciar a Seudat Purim, deve-se lavar as mãos com a bênção de Netilat Yadayim e comer pão. Após a refeição, recita-se o Birkat Hamazon (Oração após as Refeições), incluindo-se a passagem de Ve’Al Hanissim – que menciona o milagre de Purim.

A Seudat Purim deve começar antes do pôr-do-sol. Merece louvores quem convida amigos para seu banquete. Se Purim cai numa 6a feira, a refeição festiva é realizada mais cedo e tem que estar concluída bem antes do Shabat para que se possa desfrutar da refeição do dia sagrado com prazer; contudo, há quem tenha o costume de fazer a refeição de Purim bem mais tarde na 6a feira, estendendo-a até a chegada do Shabat: coloca-se, então, a toalha própria na mesa, recita-se o Kidush de Shabat e segue-se com a refeição – que passa, então, a ser duplamente festiva, tanto em honra de Shabat quanto de Purim.

Deve-se comer carne e tomar vinho na Seudat Purim. Também é costume comer legumes, comemorando o fato de que a Rainha Esther comia legumes e verduras enquanto vivia no palácio real, pois se recusava a comer a comida não casher servida no palácio.

Deve-se notar que a refeição festiva de Purim é outro mandamento que enfatiza o plano físico: essa mitzváé cumpridacom alimento e bebida. O mandamento de Seudat Purim enfatiza, novamente, o tema geral da festa – a sobrevivência física e o bem-estar material do Povo Judeu.

É importante enfatizar, contudo, que apesar de que a refeição de Purim deve ser alegre, o mandamento não deve ser cumprido frivolamente. Não se trata de uma refeição desregrada e, muito menos, uma bacanal romana. Ainda que seja um mandamento cumprido por meio de comida e bebida, essa refeição festiva tem um enorme significado espiritual, pois eleva a alma enquanto satisfaz o corpo. Na verdade, é recomendado que se realize algum estudo de Torá antes de se iniciar a Seudat Purim. O Zohar, obra fundamental da Cabalá, revela que ao se realizar um banquete em Purim, pode-se conseguir a mesma elevação espiritual que se consegue ao jejuar em Yom Kipur.

Nossos Sábios ordenaram-nos servir vinho nesse banquete pelo fato de o milagre de Purim ser intimamente ligado ao vinho. A queda da Rainha Vashti, mulher de Achashverosh, ocorreu em um banquete de vinhos – e foi a oportunidade para que Esther tomasse seu lugar ao lado do Rei e salvasse nosso povo do genocídio. Além disso, também a derrota de Haman se deu em meio a uma festa de vinho organizada pela Rainha Esther.

Nossos Sábios também ordenaram que, em Purim, devemos beber vinho até nos embriagarmos. Ensinaram que é louvável beber até não se poder diferenciar entre “que Haman seja amaldiçoado” e “que Mordechai seja abençoado”. No entanto, se a saúde da pessoa for prejudicada com esse excesso, ou se ela temer que bebendo demais seja levada a agir de forma irresponsável ou desagradável, ou a negligenciar as bênçãos e orações, ela não deve beber demais. Há quem não deva beber de forma alguma. Estes devem tirar um cochilo durante o dia, pois aquele que está adormecido não sabe diferenciar entre “que Haman seja amaldiçoado” e “que Mordechai seja abençoado”.

Ainda que seja louvável realizar uma Seudat Purim elaborada e farta, é preferível ser generoso com os necessitados do que gastar demais em um rico banquete de Purim. Como explicamos acima, o mandamento de Matanot LaEvyonim – presentes aos carentes – supera a mitzváde Mishloach Manot. Supera, também, o mandamento de Seudat Purim. Evidentemente, é necessário cumprir todos os quatro mandamentos de Purim. Contudo, a maioria dos gastos com a festa deve ser direcionada aos presentes para os necessitados, como vimos. A razão para isso é que, como dissemos acima, não há mandamento mais importante no Judaísmo do que a Tzedacá. E também, como ensinam nossos Sábios, não há alegria maior ou ato mais digno do que alegrar o coração do necessitado, do órfão e da viúva. Escreveu Maimônides, que quem alegra o coração deles pode ser comparado à Shechiná, a Presença Divina, como diz o versículo: “(D’us) reanima o espírito dos oprimidos e restaura o coração dos humilhados” (Rambam, Hilchot Meguilá 2).

Orações especiais para a festa de Purim

A passagem Ve’Al Hanissim é recitada nas orações da Amidá e no Birkat HaMazon (Oração após as Refeições). O trecho de Ve’Al Hanissim descreve a salvação ocorrida em Purim e agradece a D’us pelos “milagres de redenção, atos poderosos, de salvação e de milagres” que Ele realizou em prol de nossos antepassados, salvando-os do plano de Haman de exterminá-los.

Durante as orações matinais do dia de Purim, lê-se uma porção especial da Torá (Êxodo 17:8-16), que descreve a batalha de Yehoshua contra Amalek – o povo ancestral de Haman e inimigo mortal do Povo Judeu –, ocorrida quase mil anos antes dos eventos de Purim.

O uso de fantasias

Em Purim, é costume que as crianças – e até mesmo alguns adultos – usem fantasias. A tradição é alusiva aos milagres Divinos ocultos que salvaram nosso povo do nefasto objetivo de Haman. A Meguilat Esther é o único livro do Tanach que não faz menção a D’us – nem uma vez sequer. A razão para essa omissão é que na história de Purim, D’us “usou um disfarce”: Ele Se ocultou e agiu sigilosamente. Ao orquestrar uma série de eventos naturais – uma série incrível de coincidências –, Ele salvou o Povo Judeu.

Em Purim, muitas sinagogas organizam uma festa à fantasia, com prêmios para as crianças. Além de acrescentar alegria ao dia e despertar a curiosidade das crianças, o costume de se fantasiar reflete um dos principais temas de Purim: o fato de que D’us está sempre presente no mundo e em nossa vida pessoal, mas que Ele geralmente “Se disfarça”. Na maioria das vezes, D’us age em total segredo. Como ensina o Talmud – e como rezamos na oração da Amidá, três vezes ao dia –, D’us está sempre operando milagres – à noite, de manhã e à tarde. Se a maioria de nós não os percebe, é porque eles vêm disfarçados em “eventos naturais”.

Costumes antes e depois de Purim:

Leitura de Zachor, na Torá

Na manhã do Shabat que antecede Purim, após a leitura da porção da Torá da semana, lê-se uma passagem especial chamada Zachor (“Lembra-te”). Ouvir a leitura dessa passagem é um mandamento bíblico. Nela, D’us ordena a todo o Povo Judeu se lembrar dos feitos da nação de Amalek – os ancestrais de Haman, cujo objetivo é aniquilar os Filhos de Israel.

A porção de Zachor nos recorda que Amalek e seus descendentes – Haman e Hitler, entre muitos outros vilões – são os inimigos jurados do Povo Judeu, da Humanidade e até de D’us. Amalek personifica todas as formas de escuridão e mal que há no mundo. Esse povo assume diversas formas – físicas e espirituais – e há um mandamento na Torá para erradicá-lo da face da Terra. Todos os anos, no Shabat que precede a festa de Purim, ouvimos a porção de Zachor porque nosso povo precisa lembrar que homens como Haman e Hitler jamais poderão ser desculpados como lunáticos que guardavam no coração um ódio irracional contra os Filhos de Israel. Esses filhos de Amalek sabiam exatamente o que faziam quando tentaram exterminar o Povo Judeu. Seu propósito era extirpar o Povo Eleito por D’us para poderem estabelecer o reino da escuridão no mundo. O maior inimigo de Amalek é o Povo de Israel – o Povo da Luz (Isaías 60:3). A porção de Zachor recorda a nosso povo que uma de nossas missões é combater e vencer Amalek – total e definitivamente. Somente quando isso acontecer, a paz reinará no mundo.

Jejum de Esther

Quando a heroína da festa, a Rainha Esther, foi informada sobre o decreto genocida de Haman, ela pediu ao seu tio Mordechai, líder do Povo Judeu, que ordenasse aos judeus jejuarem por três dias. Ela própria jejuaria, bem como Mordechai. O propósito do jejum era ganhar o favor do Todo Poderoso, Rei dos Reis, para que ela, Esther, conseguisse influenciar seu esposo, rei terreno poderoso, para frustrar os planos de Haman.

Para celebrar esse jejum de três dias, que foi instrumental para a salvação de nosso povo, jejuamos no dia que antecede Purim. Taanit Esther (o Jejum de Esther) se inicia cerca de uma hora antes do nascer do sol e dura até a noite. É costume quebrar o jejum após ouvir a leitura noturna da Meguilá.

As “meias moedas” (Machatzit HaShekel)

Na tarde do Jejum de Esther, ou antes da leitura da Meguilá na noite de Purim, há uma tradição de doar certa quantia à sinagoga para celebrar o meio-shekel que todos os judeus contribuíam como sua parte nas oferendas comunitárias na época do Templo Sagrado de Jerusalém. Qual a conexão entre o donativo de meio-shekel ao Templo Sagrado e Purim?

Ensina o Talmud que “D’us manda a cura antes da enfermidade”. O meio-shekel que cada judeu contribuía como seu quinhão para as oferendas comunitárias serviu como antídoto às moedas de prata que Haman deu ao Rei Achashverosh em troca da permissão de aniquilar todos os judeus. Além disso, o Talmud ensina que a Tzedacá nos salva de todo o mal, mesmo da morte. Assim como os meio-shekels pouparam os judeus da destruição na história de Purim, nós também fazemos Tzedacá na tarde do Jejum de Esther como fonte de proteção e bênção.

Shushan Purim

Em Jerusalém, Purim é celebrado no dia 15 de Adar – e não 14 de Adar. O dia 15 é chamado de Shushan Purim. Fora de Jerusalém, inclusive na Diáspora, a data de 15 de Adar não é Purim – não se podendo cumprir as mitzvot da festa nesse dia. Contudo, Shushan Purim é um dia de alegria e celebração para todos os judeus,tanto em Israel como na Diáspora.

Nosso coração é o altar. Em tudo que você faz, deixe uma centelha do fogo sagrado queimar dentro, para que você o transforme em uma chama” (Baal Shem Tov).
Toda sexta-feira ao entardecer, quando uma mulher risca um fósforo, acendendo uma chama que ‘bebe’ o óleo das luzes de Shabat, ela está desenhando, de forma muito real e física, esta luz. Esta não é uma luz passageira e ilusória, que a remove brevemente das preocupações mundanas, mas uma inspiração permanente que impregna a escuridão profunda de nossa realidade física. Estas chamas elevam o comum saturando de santidade o mundo e a Criação como um todo. E o Universo passa a ganhar uma perspectiva mais verdadeira, em harmonia e fiel a vontade de seu Criador. Ao acender as velas do Shabat, a mulher tem o poder especial de revelar toda a santidade do Shabat. Seu ato de acender a vela e recitar a bênção apropriada atrai a aura especial deste dia sagrado que se espalha em pontos de luz em todos os lares judaicos que iluminam o mundo.

Não deixe de acender as suas Velas de Shabat !
Para o horário de acendimento das velas de Shabat – Acesse o site, e digite o nome de sua cidade:
https://www.myzmanim.com

*( Fonte: pt.chabad.org)

Desde a época do Templo Sagrado era visível para os judeus que levavam seus sacrifícios, que não importava qual fosse: um sacrifício representado por um animal de porte como um boi, uma ovelha, até uma certa quantidade de farinha (o que dependia da posse de cada um): todos eram aceitos e igualmente queridos por D’us. Assim, mesmo a mais ínfima doação de um pobre equivale para D’us como a maior doação de um rico.
Aprendemos de nosso patriarca Avraham o dom da generosidade. Assim como sua tenda possuia quatro aberturas que davam para as quatro direções do deserto afim de visualizar qualquer estrangeiro que passasse próximo ao seu caminho para convidá-lo a usufruir de sua hospitalidade, da mesma forma, devemos ser reconhecidos como seus legítimos descendentes: estender a mão para quem se encontra em nosso caminho e sempre procurar ajudar nosso semelhante.
Devemos sempre nos colocar em seu lugar, pois da mesma forma que nos dirigimos humildemente ao Criador em busca de bênçãos de saúde, alegrias materiais e espirituais, somos carentes: ocupamos a mesma posição daquele que se encontra diante de nós e pede para que estendamos nossa mão.
Devemos pensar que através das gerações poderemos também ter descendentes que um dia necessitarão talvez da ajuda de outros e portanto, nos sensibilizar que todos nós poderíamos estar em seu lugar. Devemos pensar que não nos encontramos em sua situação apenas pelo fato de que através de nossa ajuda possamos lhe fornecer mais conforto e dignidade, sendo justo com os bens que recebemos de D’us, para usá-lo da maneira que Ele espera que façamos.
Nossos bens é como um penhor que um dia deveremos devolver e restituir ao seu legítimo Dono.
Os Oito Níveis de Caridade

Definidos por Maimônides, o Rambam

Há oito níveis de caridade, cada qual mais elevado que o seguinte.

  1. O nível mais alto, acima do qual não existe outro, é apoiar um irmão judeu com um presente ou empréstimo, ou fazer uma sociedade com ele, encontrar emprego para ele, a fim de fortalecer sua mão até que não precise mais ser dependente de outros…
  2. Um nível abaixo em caridade é dar aos pobres sem saber para quem está doando, e sem que o receptor saiba de quem recebeu. Isso é cumprir uma mitsvá apenas em prol do céu. É como o “fundo anônimo” que havia no Templo Sagrado [em Jerusalém]. Ali os justos doavam em segredo, e os pobres bons lucravam em segredo. Doar a um fundo de caridade é semelhante a este modo, embora não se deva contribuir para um fundo de caridade a menos que se saiba que a pessoa designada para cuidar do fundo é confiável e sábia, além de bom administrador, como Rabi Chananyah ben Teradyon.
  3. Um nível abaixo desse é quando alguém sabe para quem está doando, mas o receptor não conhece seu benfeitor. Os Sábios mais notáveis costumavam caminhar em segredo e colocar moedas nas portas dos pobres. É realmente valioso e bom fazer isto, se aqueles que deveriam ser os responsáveis por distribuir caridade não são merecedores de confiança.
  4. Um nível abaixo que esse é quando a pessoa não sabe para quem está doando, mas o pobre conhece seu benfeitor. Os Sábios costumavam atar moedas em suas túnicas e atirá-las por trás das costas, e os pobres iam apanhá-las nas costas das túnicas, para que não ficassem envergonhados.
  5. Um nível abaixo é quando alguém dá diretamente ao pobre, na sua mão, mas dá antes que lhe seja pedido.
  6. Um nível abaixo é quando alguém dá ao pobre após ter sido pedido.
  7. Um nível abaixo é quando alguém dá de maneira inadequada, mas alegre e com um sorriso.
  8. Um nível abaixo é quando alguém dá de má vontade.
  • (Fonte: pt.chabad.org)
  • (Imagem: Natan Cooper)

Os Salmos possuem a força para curar tanto as doenças físicas como as espirituais. Rompem barreiras refinando o mais baixo e o elevando, tornam-se poderosos abrindo os portões dos céus

Mensagem do Rebe
Se vocês soubessem da força dos versículos de Tehilim (Salmos) e seus efeitos nas Alturas Celestiais, vocês os recitariam a cada momento. Os capitulos de Tehilim quebram todas as barreiras e ascendem cada vez mais alto diante de D-us e 
surtem seu efeito com bondade e misericórdia .

Carta do Rebe

… Conforme é conhecido, há dois comandos na vida espiritual do homem: o da mente e o do coração, o intelecto e as emoções. Da mesma forma, existem dois caminhos para o serviço a D’us, o caminho da prece e o da Torá. A Torá é o nosso intelecto e entendimento e a prece é o “Serviço do Coração” [Talmud Taanit 2a]; conforme explica o Alter Rebe: “Para o coração com o coração”.

No entanto, assim como o resto da criação, que é de D’us Que é Um, é portanto completamente e claramente vista como unificada… Quanto mais com o povo judeu e com todas as coisas santas, dentro das quais a Luz do Todo-Poderoso é revelada; com eles é certamente claro que estão completamente unificados um com o outro.

Por esse motivo, nós encontramos, no Talmud, que Beit Shamai, que era usualmente rigoroso em suas decisões, às vezes era leniente, e Beit Hilel, que era usualmente leniente, às vezes era rigoroso… Isso porque as almas estão entrelaçadas, e cada um deles possuía de forma inata ambas as características, leniência e rigidez…

Assim sendo, obviamente, o mesmo ocorre nos caminhos acima mencionados de serviço a D’us: o estudo da Torá deve também incluir emoção durante o estudo, conforme nossos sábios já disseram, Meguilá 32a, sobre aqueles que estudam Torá sem movimentar-se e sem cantar; com referência a essas pessoas o versículo diz: ‘E Eu lhes darei estatutos que não são bons’, Ezequiel 20:25. Além disso, antes de estuda a pessoa deve fazer uma bênção, o que significa que ela deve sentir a preciosidade do estudo da Torá, para ele seja parte do seu coração. Além disso, “a Torá sem temor e amor a D’us não pode dirigir-se ao céu para chegar perante o Todo-Poderoso”.

Assim também é com a prece. Embora ela seja o “Serviço do Coração”, não obstante, antes de rezar deve-se pensar e meditar sobre a exaltação do Senhor e a pequenez do homem; e, durante as preces, ele deve sentir como se D’us estivesse diante dele. Além do mais, à prece sem concentração não é considerada prece. Só à prece já contém partes que são louvores ao Todo-Poderoso, o que significa uma ligação com a emoção.

O próprio Livro dos Salmos também é entrelaçado: o pensamento intelectual e a meditação sobre a exaltação de D’us, e em Sua Sabedoria, grandeza e força poderosa, certamente fazem alguém amá-Lo e temê-Lo, e ambos, amor e temor, são emoções.

Além disso, a prece na Torá, a qual, conforme já mencionado, inlcui o Livro dos Salmos, deve também ter seu profundo estudo e compreensão.

Isso é sugerido nas palavras da abertura do Salmo 90: “Uma prece de Moshê”, significando que eles, a prece, o “Serviço do Coração”, e Moshê, sobre quem a Torá , o intelecto, recebe o nome, serão completamente unificados.

Com estima e bênção,

Assinatura do Rebe

  • Fonte: pt.chabad.org

Fé na prática é a visualização de que D’eus já te deu o que você quer. É imaginar que a sua reza já foi atendida e, mesmo que isso ainda não tenha acontecido isso próprio faz com que aconteça. O Rebe de Lubavitch nos contou que quando tinha três aninhos já visualizava a Gueulá acontecendo. Visualização é uma ferramenta poderosa. Visualize o que você quer fazer como se já o tivesse feito, e isso próprio fará acontecer . Muito sucesso nas metas do dia sentindo desde já que você já cumpriu todas elas! Rabino Gloiber Sempre correndo Mas sempre com você.

* Para ler mais mensagens do Rabino Gloiber,  acesse em  nosso site mensagem do Rabino Gloiber. https://ongtora.com/mensagens-do-rabino-gloiber/

Artwork by Alex Levin.

No 25º ano do exílio da Babilônia, D’us mostrou uma visão do futuro Templo ao profeta Yechezekel. Porém o Segundo Templo foi construído apenas parcialmente com base na descrição do livro de Yechezekel, pois esta descrição profética estava reservada para o Terceiro e último Templo.

O Midrash nos diz que quando D’us ordenou a Yechezekel para descrever as dimensões do Templo ao povo judeu, Yechezekel perguntou: “Mestre do Universo, por que está me dizendo para ir e contar a Israel o formato da Casa; eles agora estão em exílio na terra de nossos inimigos – existe algo que eles possam fazer a respeito disso? Deixe que fiquem, até que retornem do exílio. Então irei e os informarei.”

D’us respondeu: “A construção da Minha Casa deveria ser ignorada porque Meus filhos estão no exílio? O estudo do desenho do Templo Sagrado como detalhado na Torá pode ser igualado à sua real construção. Vá e diga a eles para estudarem a forma do Templo Sagrado. Como recompensa pelo seu estudo e sua ocupação com isso, Eu irei considerar se eles realmente construíram o Templo Sagrado. 

Baseado no Midrash acima, o Rebe de Lubavitch incentivou fortemente o estudo sobre a construção do Templo, especialmente durante a época do ano na qual lamentamos sua destruição. 

Assim, apresentamos um esboço de algumas características distintas do Terceiro Templo. (Veja, porém, que Maimônides escreve que o projeto do Templo Messiânico, embora mencionado no Livro de Yechezekel, “não é explícito ou explicado.)” 

Será Grande
O Terceiro Templo será muito maior que os dois Templos anteriores. Por exemplo, a área separada para o complexo do Segundo Templo, ou aquele que é conhecido como o Monte do Templo, era de 500 por 500 cúbitos (cerca de 1.000 metros por 1.000 metros) – ou 9 milhões de cúbitos quadrados – i.e., será 39 vezes maior, com cerca de 2 milhões de metros quadrados! 

Será Quadrado
A divisão básica do Templo em diferentes seções, como o Kodesh (Sagrado) e o Kodesh HaKodashim (Santo dos Santos), será a mesma que nos Templos anteriores. Porém, a seção chamada Ezrat Nashim no Segundo Templo (e “pátio externo” na profecia de Yechezekel) terá um desenho muito diferente no Terceiro Templo. Embora no Segundo Templo essa seção fosse uma área de 300 metros quadrados na frente da azará(o equivalente ao “pátio interno” em sua profecia), no Terceiro Templo essa área será de 625 por 630 metros, e completamente cercada, quase como uma praça, a azará.

O Ferro Estará Presente
Ferro não foi usado nas construção dos primeiros dois Templos, como declara o versículo: “A Casa, quando estava em construção, foi feita de pedra trabalhada nos cantos, e não houve martelo nem machado (nem) qualquer ferramenta de ferro ouvida na Casa, enquanto estava em construção.”  Por quê? Porque ferro é usado para fazer armas que encurtam a vida, e o objetivo do Templo era “fazer a paz” entre homem e D’us, portanto prolongando a vida da pessoa. Assim,é inadequado construir uma estrutura de sustento da vida com um material totalmente seu oposto.

No entanto, o Rebe explica que na era messiânica, quando “espadas serão transformadas em arados” e o ferro será usado apenas para o positivo, essa proibição de usar metal na estrutura do Templo não mais será aplicada.

O uso de ferro no Terceiro Templo não apenas será um sintoma da paz que irá reinar, mas é simbólico da era messiânica em geral. A palavra hebraica para ferro, barzel, o Arizal explica ser um acrônimo para as quatro esposas do patriarca Yaacov, de quem a nação judaica descendeu: Lea, Zilpá, Rachel, Bilá Isso corresponde à explicação dos místicos de que na era da redenção, as mulheres estarão num nível mais elevado que os homens.

Iremos Ali Com Frequência
O versículo ao final de Yeshayáhu declara: “‘Será a partir da lua nova para lua nova e de Shabat para Shabat que toda a carne se prostrará perante Mim,’ diz o Eterno,”  O Midrash explica que embora durante as eras dos dois primeiros Templos os judeus fizessem uma peregrinação ao Templo somente três vezes ao ano, na era messiânica faremos todo primeiro dia do novo mês. O Midrash explica ainda que isso era impossível de fazer durante os dois primeiros Templos, mas que na era do terceiro Templo teremos “nuvens” que nos transportarão até Jerusalém e ao Templo, permitindo-nos visitar o Templo Sagrado com muito mais frequência. 

Que o mérito de aprender sobre a construção do Templo esteja conosco, e que possamos merecer a reconstrução do terceiro Templo Sagrado rapidamente em nossos dias!

  • Fonte: beitchabad.org.br
  • Imagem : Alex Levin

 * ERRATA  – Fizemos a correção da Data do jejum para este ano 2018

Começa ao nascer do sol de  terça-feira, 18 Dezembro, 2018
Termina ao anoitecer de  Terça-feira, 18 Dezembro, 2018

Assará BeTevet

Nesta terça feira dia 18 teremos o jejum de Assará BeTevet

O décimo dia do mês hebraico de Tevet é um dos quatro jejuns em que não comemos e não bebemos desde um pouco antes do nascer do sol até o anoitecer.

Por que jejuamos em 10 de Tevet?

Essa data marca o cerco de Jerusalém pelo general da Babilônia Nebuzaradan na época do primeiro Beit Hamikdash. Esse cerco foi o início da queda de Jerusalém e o subsequente exílio do Povo Judeu.

Durante muitos anos, na época do primeiro Templo Sagrado de Jerusalém, D’us enviava Seus profetas para alertar o Povo Judeu de que se não melhorassem seu comportamento, Jerusalém e o Templo Sagrado seriam destruídos. Naquela época nosso povo fazia muita idolatria, relações ilícitas e assassinatos

Muitos judeus, principalmente seus líderes, desmoralizavam os profetas, acusando-os de “falsas profecias de um destino cruel” e alegando que eles tinham o hábito de desmoralizar o povo. Chegaram, mesmo, a assassinar o profeta Zeharia dentro do Beit Hamikdash.

Até que, em 10 de Tevet do ano de 3336 (425 a.E.C.) os exércitos do imperador Nabucodonozor, da Babilônia, dirigidos pelo seu fiel general Nebuzaradan sitiaram Jerusalém.

D’us retardou a destruição para dar aos judeus a oportunidade de se arrependerem. Enviou o profeta Yermiahu (Jeremias) para avisar o nosso povo do que está para acontecer, mas em vez de ouvir seu chamado e eles o aprisionaram.

Assim, 30 meses depois do começo do cerco, o exército da Babilônia rompeu os muros de Jerusalém e, em Tishá b’Av, o nôno dia do mês de Av, destruíram o Templo Sagrado de Jerusalém e exilaram o nosso povo para a Babilônia.

O jejum do dia 10 de Tevet é grave pelo fato de ser visto como o início da cadeia de eventos que culminaram com a queda de Jerusalém e a destruição do Templo Sagrado, e o subsequente exílio do Povo Judeu.

Apesar do retorno à Terra de Israel após os 70 anos de exílio na Babilônia e apesar da construção do segundo Templo, a nação nunca se recuperou, de fato, da queda do reino da Judéia do qual somos seus descendentes e por isso somos chamados de judeus.

O reino de Israel, país das dez tribos, já havia sido destruído uma geração antes pelos assírios, e as dez tribos que moravam nele se tornaram dez tribos perdidas e só vamos saber quem eles são na época do Mashiach.

Até o estado de Israel de hoje não significa a nossa reconstrução, sendo que as dez tribos continuam perdidas e a população judaica de Israel perfaz menos da metade do que sobrou de duas tribos, ou seja, o problema que começou com o cerco de 10 de Tevet só vai ser resolvido de verdade quando Mashiach chegar!

O sítio a Jerusalém ocorrido em 10 de Tevet foi a origem de todas as calamidades na História Judaica. Foi aí que começou a dispersão do que tinha sobrado do nosso povo e todas as provações, atribulações e tragédias que se seguiram.

Essa data é também o dia da recordação de dois eventos trágicos que ocorreram nos dias que antecederam o 10 de Tevet.

O primeiro deles ocorreu no dia 8 desse mês e foi a tradução da Torá para o grego. Talmai, o imperador dos greco-egípcios que na época dominava a nossa terra, reuniu 72 sábios da Torá, isolando-os em 72 lugares separados e lhes ordenando que traduzissem a Torá para o grego. No 8º dia de Tevet do ano 3515 (246 a.E.C.) eles terminaram 72 traduções idênticas!

Foi um feito milagroso, particularmente porque havia 13 pontos onde os tradutores divergiram intencionalmente da tradução literal para evitar que a Torá fosse mal interpretada pelo rei. Todos os 72 sábios traduziram essas 13 passagens da mesmíssima maneira!

Apesar desse grande milagre, nossos Sábios viram essa tradução da Torá como um dos dias mais trágicos na História Judaica. Chegaram, mesmo, a compará-lo com o dia em que os judeus fizeram o Bezerro de Ouro.

Aparentemente, a tradução da Torá não deveria ser considerada um evento negativo. O próprio Moshe Rabeinu traduziu a Torá para 70 idiomas.

No entanto, diferentemente dessa tradução e das traduções de nossos textos sagrados feitas ao longo dos tempos, especialmente em anos recentes, a tradução ordenada pelo imperador egípcio-grego não era uma empreitada sagrada nem Divina, mas um projeto humano motivado por uma intenção maldosa.

Portanto, era como um bezerro de ouro – um receptáculo definido pelo homem para a Verdade Divina. O propósito do imperador ao ordenar a tradução não era disseminar o estudo da Torá, mas sim de permitir uma distorção do significado original da Torá.

E de fato, a tradução grega da Torá ajudou os judeus helenistas a introduzir a cultura grega na vida judaica e a modificar o judaísmo de modo a adaptá-lo aos valores gregos e seu estilo de vida.

O uso do idioma grego para traduzir a Torá teve amplas ramificações na sociedade judaica e minou alguns dos esforços dos rabinos no combate ao fascínio que os gregos exerciam sobre os judeus.

O segundo evento trágico que antecedeu o dia 10 de Tevet foi o falecimento de Ezra HaSofer, que morreu no dia 9 desse mês, do ano de 3448 (313 a.E.C.) – 1000 anos após a entrega da Torá no Monte Sinai.

Nossos Sábios nos disseram que se D’us não nos tivesse dado a Torá por intermédio de Moshe, Ele o teria feito através de Ezra. Ezra conduziu o retorno do Povo Judeu à Terra de Israel após o Exílio da Babilônia.

Ele supervisionou a construção do Segundo Templo, fortaleceu o cumprimento das leis do Shabat e ajudou a pôr fim à onda de casamentos mistos que dizimava o Povo Judeu naquela época.

Como chefe da Grande Assembleia de Sábios e Profetas, a Anshei Knesset HaGuedolá, Ezra compilou os 24 livros do Tanach (Torá, Profetas e Escrituras – Torá, Neviim e Ketuvim) e, ao instituir uma série de práticas judaicas, assegurou a continuação do judaísmo autêntico entre o Povo Judeu.

Homem verdadeiramente incorruptível, Ezra era também um ser de grande compaixão, profunda visão, carisma e erudição quase sem paralelo.

Pode-se dizer que Ezra HaSofer é o responsável pela sobrevivência do judaísmo até nossos dias. Por esse motivo, marcamos o dia de seu falecimento como um dia muito triste no calendário judaico.

Como jejuar nos três dias – 8, 9 e 10 de Tevet – seria fora de propósito, os eventos tristes dos outros dois dias são incluídos no jejum do dia 10 de Tevet.

Isso condiz com a política rabínica de reunir as comemorações tristes aos dias já consagrados ao jejum para evitar povoar o calendário judaico com tantos dias de recordações trágicas.

Essa é a razão pela qual a celebração que homenageia a destruição das comunidades judaicas de Worms, Speyers e Mainz pelos Cruzados, em 1096, é marcada pelo jejum de Tishá b’Av, ainda que essas destruições tenham ocorrido em outros meses do nosso calendário.

A política de minimização do número de dias de celebração de eventos tristes se tornou prática aceita em toda a história Judaica, até em relação ao holocausto, mesmo o Estado de Israel tendo designado uma data especial apenas para o dia da recordação do holocausto, os rabinos atribuem a recordação do Holocausto ao dia 10 de Tevet.

Nesse dia alguns costumam falar um Kadish por aqueles que foram mortos no holocausto, mas cuja data de falecimento é desconhecida. Assim, nessa data, não apenas recordamos nossos 7 milhões de mártires; também jejuamos e choramos por eles.

Um dia de arrependimento

Há um antigo costume de se proferir palavras inspiradoras que despertem a alma para o arrependimento nos dias de jejum, como o 10 de Tevet.

Há vários temas sobre os quais nós, judeus, devemos refletir nesse dia. Primeiro, devemos ter em mente que quando o general da Babilônia e suas tropas sitiaram Jerusalém, nenhum judeu podia entrar na cidade ou deixá-la. Todos os seus habitantes foram forçados a viver em comunidade.

O Talmud ensina que: “D’us envia a cura antes da doença”. O sítio à Jerusalém foi um exemplo desse ensinamento talmúdico: D’us deu aos judeus da cidade a oportunidade de se unirem. Se assim o tivessem feito, teriam saído milagrosamente vitoriosos sobre o exército babilônico. Mas os judeus não se uniram e o resultado foi destruição e exílio.

O exílio que se seguiu à queda do primeiro Templo Sagrado durou apenas 70 anos, mas a História Judaica nunca mais foi a mesma. Um segundo Templo foi construído, mas era desprovido dos inúmeros milagres que ocorreram no primeiro.

E nem precisamos falar sobre o estado de Israel de hoje que tem uma mesquita declarada Patrimônio da Humanidade pela UNESCO em 1981, exatamente no lugar do Templo Sagrado de Jerusalém

Como dissemos, os judeus retornaram à Terra de Israel liderados por Ezra, mas eles nunca mais desfrutaram do mesmo grau de independência que tinham antes.

A queda do primeiro Templo Sagrado foi, portanto, o início de nosso atual exílio, que já dura cerca de 2000 anos.

E sendo que o início da queda do primeiro Templo ocorreu em 10 de Tevet e isso foi a origem de todos os problemas e tragédias que se seguiram ao longo da história de nosso povo, por esta razão, o jejum de 10 de Tevet é tão grave que não pode ser adiado nem antecipado nem mesmo quando cai na véspera do Shabat.

Desde a queda do segundo Templo, vivemos no exílio já há quase dois milênios. O Talmud nos ensina que a principal causa do nosso exílio atual foi o ódio entre os judeus.

Quando há harmonia e unidade entre nós, judeus, somos invencíveis. Não precisamos voltar atrás, às histórias do Tanach para confirmar isso.

A história de Israel demonstra que quando o Povo Judeu está unido somos imbatíveis. Mas, quando há, e que D’us não o permita, ressentimento e ódio entre nós, o resultado é derrota e exílio.

O sítio de Jerusalém no dia 10 de Tevet deu ao Povo Judeu a oportunidade de remediar a causa do exílio antes que tivesse começado. Infelizmente, o povo não se apercebeu nem se utilizou da cura antes e nem mesmo depois da doença se ter instalado…

Assim como ocorreu da primeira vez, todos os anos o dia 10 de Tevet é um dia para que todos os judeus se empenhem em curar a causa primária de nosso exílio. Isso se faz criando harmonia e paz entre nós e nossos irmãos, o Povo Judeu.

Quer em Israel ou na Diáspora devemos esforçar-nos para admitir que apesar de nossas diferenças religiosas ou políticas, o que nos une é muito maior do que o que nos separa.

Não importa quão grande a distância política ou religiosa entre nós; é muito, mas muito melhor viver em paz com nossos irmãos judeus do que enfrentar a derrota, o exílio e a destruição.

A defesa de Jerusalém

Há outra questão sobre a qual devemos refletir no dia 10 de Tevet – o nosso vínculo com a cidade sagrada de Jerusalém.

Essa cidade foi, é e será para sempre a Capital do Povo Judeu. Jerusalém não é apenas a capital política do Estado de Israel – é também a capital espiritual de todo o nosso povo.

O jejum de 10 de Tevet, bem como os de 17 de Tamuz e 9 de Av, nos recordam que quando os exércitos inimigos quiseram nos destruir, eles atacaram Jerusalém. Perceberam que se a Cidade Santa caísse, o Povo Judeu cairia.

Hoje, os inimigos do nosso povo, como os antigos babilônios e romanos, atacam nossa nação indo atrás de Jerusalém. Seu desejo supremo é que estejamos indefesos, sua estratégia para executar esse plano nefasto é tentar criar uma cisão entre o Povo Judeu e sua cidade, Jerusalém.

uma proposta de Resolução aprovada pela UNESCO, organismo das Nações Unidas encarregado da preservação da cultura e história, negou os vínculos do judaísmo a Jerusalém e seus lugares santos.

Essa Resolução não apenas zombou da história – fato irônico já que a UNESCO é a encarregada de preservar a história –, mas o que talvez seja bem pior: trata-se de uma campanha vil dirigida ao coração da nação judaica.

“Dizer que Israel não tem vínculos com o Monte do Templo e o Muro Ocidental é como dizer que o Egito não tem vínculo com as Pirâmides. Com essa decisão absurda, a UNESCO perdeu a pouca legitimidade que lhe restava”.

Quem perpetra uma negação tão grosseira da História – a ideia de que se contarmos uma mentira muitas vezes ela se tornará verdade – segue os passos de Goebbels, Stalin e Hitler – inimigos dos judeus e da humanidade.

Esses ataques contra Jerusalém não apenas negam a História Judaica, mas também a História dos Estados Unidos e da Europa, países cristãos. Negar a conexão indissolúvel do Povo Judeu com Jerusalém é declarar não só que o Tanach, mas também a Bíblia dos Americanos e Europeus que fala sobre o Templo Sagrado de Jerusalém são falsidades.

A Resolução da UNESCO e atitudes semelhantes das Nações Unidas é um ataque contra a História, a verdade e a decência.

O dia 10 de Tevet, que marca o sítio a Jerusalém, deve inspirar todos os judeus a fortalecer seus laços com a Cidade Sagrada e com a Terra de Israel. E o fazemos estudando e ensinando o Judaísmo, a História Judaica, e os princípios da nossa fé,

sendo o décimo segundo desses princípios a vinda de Mashiach que vai construir o Beit Hamikdash no seu lugar original aonde se encontra a mesquita tombada da unesco e trazer todos os judeus para a Terra Santa, inclusive as dez tribos perdidas que de acordo com muitas pesquisas milhões deles podem ser parte desse próprio mundo muçulmano

e isso nos lembra um pouco a história de Nebuzaradan, o general da Babilônia, que no final, depois de ter nos causado as maiores tragédias da nossa história começando pelo 10 de Tevet, desertou do seu próprio exército e se converteu ao judaísmo.

Pior do que isso só poderia ser ele descobrir que sempre foi judeu, que não era o caso dele mas que pode ser o caso de milhões de muçulmanos de acordo com as pesquisas sobre as dez tribos

O Mashiach vai trazer todos os judeus de todos os cantos do mundo de volta para o judaísmo e de volta para a Terra Santa cujas fronteiras explícitas na Torá vão do rio Eufrates até o rio Nilo.

E como escreveu o Ramban, “Mesmo que demore, esperaremos por sua vinda a cada dia”


Yud Tet Kislev, o dia dezenove do mês de Kislev, é uma data histórica nos anais da Chassidut em geral, e de Chassidut Chabad em especial.
Este dia significa uma notável reviravolta no crescimento e desenvolvimento do movimento Chassídico, sendo um marco em sua mais gloriosa marcha para a vitória através da história de sua existência, até os dias atuais.
Yud Tet Kislev é o dia no qual Rabi Shneur Zalman de Liadi, o Alter Rebe, foi libertado de seu rígido cárcere em Petersburgo, no ano de 5559 (1798). Sua detenção colocou em perigo não apenas sua vida, mas também o futuro do movimento chassídico. Conseqüentemente, o dia de sua libertação foi declarado entre os chassidim como um dia de celebração, observado até os dias de hoje com exuberante júbilo por centenas de milhares de judeus no mundo inteiro.
Yud Tet Kislev também é o dia de aniversário do passamento do segundo líder do movimento chassídico, Rabi Dov Ber, o santo Maguid de Mezritch; que faleceu a dezenove de Kislev de 5533 (1772).
O grande sábio e tsadic Rabi Shneur Zalman de Liadi, fundador e criador do chassidismo Chabad, é geralmente conhecido no mundo judaico por diversos epítetos: ‘o autor do Shulchan Aruch,’ ‘o autor do Tanya,’ ‘o Rabi de Liadi,’ ‘o Maguid de Liozna,’ e, entre os seguidores do movimento Chabad, com ‘o Alter Rebe.’
O Alter Rebe nasceu em dezoito de Elul de 5505 (1745) em Liozna, uma cidadezinha na Rússia Branca, não muito distante de Vitebsk que, à época, fazia parte da Polônia. Os velhos chassidim costumavam contar que ouviram de coetâneos do Báal Shem Tov que quando o Alter Rebe tinha três anos de idade, o Báal Shem Tov comentou com seus discípulos: “Uma grande alma desceu à terra: Shenê-Or (duas luzes). Ele disseminará a luz da Torá em ambos os aspectos, revelado e místico.”
Até os dez ou onze anos de idade, o jovem Shneur Zalman estudou sob a tutela de diversos grandes acadêmicos, especialmente com Rabi Yissachar Ber, o renomado Maguid de Lubavitch. Mal chegara aos doze anos quando Rabi Yissachar informou a seu pai, Rabi Baruch, que não mais poderia ensinar o rapaz, “pois é um gênio que não necessita mais de instrução.”
Um ano depois, por ocasião de seu Bar-mitsvá, os maiores sábios e eruditos de Torá da região expressaram sua admiração por seu prodígio, concedendo-lhe alto título em reconhecimento a seu vasto conhecimento e erudição.
Rabi Shneur Zalman continuou seus estudos sozinho com grande concentração, e “com a idade de dezoito anos completou, com todos os comentaristas anteriores e posteriores, todo o Talmud. No ano de 5537 completou o estudo do Talmud pela décima sexta vez, e fez isto de pé!” Além de seu dedicado estudo do Talmud, estudava Cabalá profundamente; compunha o Shulchan Aruch, realizava trabalho comunitário, viagens para orientação de comunidades locais e exercia numerosas outras atividades que demandavam tempo.
Aos dezoito anos, Rabi Shneur Zalman decidiu “peregrinar a um local de Torá.” Naquela época havia dois grandes luminares reluzindo no mundo judaico. Um raio de Torá emanava de Vilna, e um raio de Avodá (serviço Divino) originava-se de Mezritch, pequena cidade da região de Volin. Já sendo amplamente proficiente no conhecimento de Torá, Rabi Shneur Zalman foi atraído à luz da Avodá. Com o consentimento da esposa, partiu de Vitebsk para dirigir-se – a pé – para Mezritch.
Chegando a Mezritch, observou as maneiras do Maguid, sua forma de ensinar os caminhos da Avodá de acordo com a doutrina do chassidismo, ficando profundamente impressionado. Ficou atônito com a sabedoria e sagacidade do Maguid tanto no campo da Torá revelada quanto na parte oculta da Torá; e aprendeu a apreciar a santidade de seu grande Mestre.
Em contrapartida, o Maguid de Mezritch reconheceu as extraordinárias qualidades de seu novo discípulo, demonstrando-lhe consideração especial. Providenciou para que seu único filho, Rabi Avraham, “o Anjo,” instruísse o Rebe no chassidismo, enquanto esse instruía Rabi Avraham em assuntos talmúdicos e haláchicos.
Rabi Shneur Zalman tornou-se fervoroso adepto dos ensinamentos chassídicos do Maguid e do Báal Shem Tov. Após longa estadia em Mezritch, voltou a Vitebsk. À caminho de casa, parou em todas as comunidades e assentamentos judaicos pelos quais passou, a fim de contar acerca dos profundos conhecimentos do Maguid, e sobre seus caminhos da Avodá.
Certa vez, Rabi Yossef Yitschac de Lubavitch relatou o seguinte episódio acerca do relacionamento do Maguid com o Alter Rebe:
“Meu avô, Rabi de Avrutch, contou a meu pai algo que ouvira do avô de sua esposa, Rabi Motele de Chernobyl. ‘Meu pai,’ disse Rabi Motele, ‘disse-me que o Maguid considerava o Rav como se fosse seu próprio filho. O Maguid dissera certa vez a seu discípulo Rabi Zussia: escreva a nosso Gaon, Rabi Zalmenyu Litvak, para que venha para cá.
‘Desde então, o círculo de discípulos costumava chamá-lo de ‘Rav’; e quando o ‘Anjo’ contou a seu pai a respeito, esse respondeu que os discípulos acertaram em cheio na verdade. Há uma indicação disso, pois a decisão haláchica estará de acordo com o Rav, e o Shulchan Aruch do Rav será aceito como autoridade máxima por todo o povo judeu.
‘Quando Rav chegou, Rabi Zussia relatou-lhe como o Maguid o instruíra, dizendo: ‘escreva a nosso Gaon, para que venha’. Ao ouvir isto, Rav suspirou profundamente e desmaiou. Mesmo depois de ter sido reanimado, sentia-se fraco e teve de permanecer acamado. ‘Tudo isso aconteceu em Rovna, onde o Maguid residiu durante seus últimos anos, à época da grande convenção. Os discípulos, sabendo da profunda afeição de seu Mestre pelo Rav, não ousaram informá-lo de seu estado. Rabi Mendel de Vitebsk disse que não deveriam causar qualquer desgosto ao Maguid, e que era preciso encontrar alguma outra maneira. Porém, Rabi Levi Yitschac de Berditchev insistiu que deveriam contar ao mestre, e Rabi Mendel e Rabi Zussia apoiaram-no na decisão.
‘Ao ouvir o que aconteceu, o Maguid citou o versículo: ‘E D’us manteve isto em segredo de mim,’ (Melachim II, 4:27) e acrescentou: ‘Ele tem a sensibilidade de uma criança. Meu Mestre (o Báal Shem Tov) considerava-me como um filho, e ele (Rabi Shneur Zalman) é como um filho para mim.’ ‘Nenhum dos discípulos compreendeu o que o Maguid quis dizer com essas palavras até alguns dias antes que viesse a falecer.
Contou-lhes então: ‘Rabi Zalmenyu já percebeu no verão passado o que vocês estão sentindo agora.” E logo antes de falecer, pegou a mão de Rav e disse: ‘Yud Tet Kislev é nosso Yom Tov!'”
E realmente, no terceiro dia da semana da parashá de Vayêshev, a dezenove de Kislev de 5533, o Maguid faleceu. Exatamente no mesmo dia, vinte e seis anos depois, no terceiro dia da semana da parashá de Vayêshev, em dezenove de Kislev de 5559, o Alter Rebe foi libertado.
Rabi Dov Ber, o ‘Miteler Rebe’, lembrando-se daquele dia da libertação, disse certa vez que “durante a prece de Minchá, vi o Maguid de Mezritch, que me disse: ‘Seu pai acaba de ser libertado da prisão. Apesar de ainda estar sofrendo muito, mesmo agora, muito breve também será libertado desta agonia.'”
Este dia de Yud Tet Kislev foi instituído entre os chassidim de Chabad como um dia perpétuo de celebrações.
*(Fonte:pt.chabad.org)


 
 
Chanucá significa, literalmente, “Inauguração”. A festa recebeu este nome em comemoração ao fato histórico de que os macabeus “chanu” (descansaram) das batalhas no “cá” (25º dia) de Kislêv.
Duração: 8 dias.
Por que comemora-se
Antiocus, rei da Síria, governou a Terra de Israel depois da morte de Alexandre, o Grande. Pressionou os judeus a aceitarem a cultura greco-helenista, proibindo o cumprimento das mitsvot (preceitos) da Torá e forçando a prática da idolatria pagã.
Antiocus foi apoiado por milhares de soldados de seu exército. Em 165 AEC, os Macabeus, corajosos lutadores oriundos de uma família de muita fé, os Chashmonaim, apesar do antagonismo esmagador, saíram vitoriosos de uma batalha travada contra o inimigo.
O Templo Sagrado, violado pelos rituais greco-pagãos, foi novamente purificado e consagrado e a Menorá (candelabro) reacesa com o azeite puro de oliva, descoberto no Templo.
A quantidade encontrada era suficiente para apenas um dia, mas milagrosamente durou 8 dias, até que um novo óleo puro pudesse ser produzido e trazido ao Templo. Em lembrança destes milagres comemoramos Chanucá durante oito dias.
Sobre Chanucá
Por Eliyahu Kitov
Os oito dias da Festa de Chanucá começam em 25 de Kislev. As luzes são acesas toda noite durante os oito dias da festa.
Os Sábios (Shabat 21b) perguntaram: O que é Chanucá? Os Rabinos ensinaram: A partir do vigésimo quinto dia de Kislev, são observados oito dias de Chanucá, durante os quais não são feitas eulogias e o jejum não é permitido. Pois quando os gregos entraram no Santuário, profanaram todos os azeites [usados para acender a Menorá]. E quando a Casa Hasmoneana prevaleceu e os derrotou, eles procuraram e encontraram apenas uma ânfora de azeite com o selo do Cohen Gadol – e esta jarra tinha azeite suficiente para queimar um dia. Mas ocorreu um milagre e o azeite ardeu durante oito dias.
No ano seguinte, os Sábios designaram estes oito dias como uma festa, com canções de louvor e agradecimentos. Durante o período do segundo Templo Sagrado, os reis gregos emitiram decretos rigorosos contra Israel, banindo suas práticas religiosas e proibindo-os de estudar Torá e cumprir as mitsvot. Eles roubaram o dinheiro e suas filhas, entraram no Santuário e os atacaram, profanando tudo que era ritualmente puro. Causaram grande angústia a Israel e oprimiram os judeus até que o D’us dos nossos pais teve misericórdia deles e os libertou, salvando-os das mãos de seus inimigos. A Casa Hasmoneana – os Cohanim Guedolim – prevaleceram, matando-os e salvando Israel das mãos deles. E eles nomearam um rei dentre os cohanim, e o reino de Israel foi restaurado por mais de duzentos anos, até a destruição do Segundo Templo Sagrado.
Foi no dia 25 de Kislev que Israel prevaleceu e venceu seus inimigos. Entraram no Santuário e encontraram apenas uma ânfora [de azeite] puro. Continha o suficiente para um dia, mas eles acenderam as luzes da Menorá e durou oito dias, até que prensassem azeitonas para extrair azeite puro (Rambam, Hilchot Chanuca 3).
Os Sábios daquela geração portanto decretaram que esses oito dias, começando em 25 de Kislev, fossem designados dias de júbilo e louvor, e que se acendessem luzes na entrada das casas em cada uma dessas oito noites, para divulgar o milagre. E estes dias são chamados de Chanucá – [inauguração, consagração; pode-se também interpretar a palavra como] chanu [eles descansaram] ca [no vigésimo quinto] – pois no vigésimo quinto dia eles descansaram da batalha contra seus inimigos.
O Talmud declara que os dias foram designados para “prece e agradecimento”.
Cumprimos a obrigação de “louvor” recitando Hallel completo durante Shacharit, as preces matinais em todos os oito dias de Chanucá. A obrigação de “agradecimento” é cumprida recitando-se Al haNissim que é inserido na prece Amida e no Bircat Hamazon, prece de Graças Após as Refeições quando se ingere pão, hamotsi.
Costumes de Chanucá
december_cc1
Como Acender a Chanukiá:
Uma Chanukiyá tem oito braços numa fila reta de igual altura. O shamash (vela auxiliar), usado para acender a Chanukiyá, é colocado mais alto ou à parte das outras. Uma Chanukiyá que funcione com eletricidade pode ser usada como decoração de Chanucá, mas não cumpre a mitsvá (conexão com D’us) de acendimento da Chanukiyá.
Parte da mitsvá de Chanucá é a divulgação do milagre de Chanucá, portanto colocamos a Chanukiyá no batente oposto à mezuzá, ou numa janela, claramente visível do lado de fora. Velas podem ser usadas, mas devido ao seu papel no milagre de Chanucá, uma Chanukiyá com azeite é especialmente significativa.
Na primeira noite de Chanucá, reúna a família para o acendimento da Chanukiyá. Antes de acender, recite a bênção apropriada. Utilize o shamash para acender a primeira vela, no extremo direito da Chanukiyá.
Na segunda noite, acenda uma vela adicional à esquerda da vela acesa na noite anterior. Repita o mesmo processo a cada noite de Chanucá, onde a vela a ser acesa é sempre a nova, procedendo da esquerda para a direita. As velas devem arder durante pelo menos meia hora.
Se uma vela apagar durante o período em que deveria estar ardendo, deve ser reacendida. Na noite seguinte, os pavios e o azeite restantes podem ser reaproveitados.
A luz da chanukiyá é sagrada e não pode ser utilizada para outro fim, como leitura ou trabalho.
Acendimento na véspera e após o Shabat
Na tarde de sexta-feira, acendemos as velas de Chanucá pouco antes das velas de Shabat. (No Shabat, o sagrado dia de repouso, é proibido acender uma chama). A chanukiyá não pode ser tocada ou removida depois de seu acendimento na sexta-feira até sábado após o anoitecer. No sábado, as velas de Chanucá somente são acesas após o final do Shabat, depois que a prece de Havdalá é recitada.
Luzes, velas, ação!

Primeiro, acende-se o shamash, depois pronuncia-se as seguintes bênçãos:
1. Baruch Atá A-do-nai, E-lo-hê-nu Mêlech Haolam, asher kideshánu bemitsvotav, vetsivánu lehadlic ner Chanucá.
Bendito és Tu, A-do-nai, nosso D’us, Rei do Universo, que nos santificou com Seus mandamentos, e nos ordenou acender a vela de Chanucá.
2. Baruch Atá A-do-nai, E-lo-hê-nu Mêlech Haolam, sheassá nissim laavotênu, bayamim hahêm, bizman hazê.
Bendito és Tu, A-do-nai, nosso D’us, Rei do Universo, que fez milagres para nossos antepassados, naqueles dias, nesta época.
Na primeira noite ou pela primeira vez, acrescenta-se:
Baruch Atá A-do-nai, E-lo-hê-nu Mêlech Haolam, shehecheyánu vekiyemánu vehiguiyánu lizman hazê.
Bendito és Tu, A-do-nai, nosso D’us, Rei do Universo, que nos deu vida, nos manteve e nos fez chegar até a presente época.
Em seguida, acendem-se as velas da chanukiyá com o shamash, da esquerda para a direita. Após acender as velas, coloca-se o shamash à esquerda da chanukiyá de modo que fique mais alto do que as chamas da chanukiyá, e recita-se:
Hanerot halálu ánu madlikin al hateshuot, veal hanissim, veal haniflaot, sheassíta laavotênu, bayamim hahêm, bizman hazê, al yedê cohanêcha hakedoshim. Vechol shemonat yemê Chanucá, hanerot halálu côdesh hem, veen lánu reshut lehishtamesh bahen, êla lir’otan bilvad, kedê lehodot ul’halel leshimechá hagadol, al nissêcha, veal nifleotêcha, veal yeshuotêcha.
Nós acendemos estas luzes em virtude das redenções, milagres e feitos maravilhosos que realizaste para nossos antepassados, naqueles dias, nesta época, por intermédio de Teus sagrados sacerdotes. Durante todos os oito dias de Chanucá, estas luzes são sagradas, e não nos é permitido fazer qualquer uso delas, apenas mirá-las, a fim de que possamos agradecer e louvar Teu grande nome, por Teus milagres, Teus feitos maravilhosos e Tuas salvações.
savivon_1
Sevivon:
Antíoco decretou que cada aula de Torá era crime punível com morte ou prisão. Em desafio, as crianças estudavam em segredo, e quando as patrulhas sírias eram avistadas, fingiam estar jogando uma inocente brincadeira de pião, também conhecido como dreidel (em yidish) e sevivon (em hebraico).
As Letras
Todo sevivon possui quatro lados com uma letra hebraica em cada um deles. Cada letra é a inicial de uma palavra. As quatro letras são:
Nun primeira letra da palavra Nes, que significa “milagre”
Guimel primeira letra de Gadol, que significa “grande”
Hei primeira letra de Haya, que significa “era” ou “foi”
Shin primeira letra de Sham, que significa “lá”
Juntas, estas letras formam a frase: “Um grande milagre aconteceu lá”.
Em Israel, ao invés da letra shin (para designar sham, lá), o sevivon possui a letra pei de pô, (aqui) para que as letras dos lados do pião forme a frase: “Um grande milagre aconteceu aqui”.
Atualmente
Uma vez que as crianças têm dinheiro e tempo livre, é natural que acabem brincando com o sevivon.
Mas o sevivon também tem uma mensagem especial: possui quatro lados, cada um com uma letra do alfabeto hebraico, formando a frase: “Um grande milagre aconteceu lá”, mostrando assim que, mesmo nos momentos de lazer, a pessoa deve lembrar que a Providência Divina dirige tudo, em todas as situações.
Chanucá Guelt:
Durante Chanucá é costume dar guelt (dinheiro) aos filhos, para ensinar-lhes a intensificar a caridade e as boas ações, e incrementar o espírito festivo da data.
Essa sutil forma de “suborno” é um componente essencial no processo educacional. Maimônides discute a importância de usar incentivos e prêmios até que uma criança tenha idade suficiente para entender por si mesma a importância e a beleza da Torá e mitsvot.
O dinheiro que damos as crianças, o guelt de Chanucá, celebra a liberdade e o mandato de canalizar a riqueza material para fins espirituais.
Chanucá guelt pode ser dado a qualquer tempo no decorrer de Chanucá (exceto no Shabat). Alguns têm o admirável costume de dar o guelt em todas as noites de Chanucá. Em Chabad, é costume dar toda noite, mas entregar uma soma maior na quarta ou na quinta noite.
Sonhos e Bolinhos de Batata:
Veja receitas para Chanucá: http://ongtora.com/receitas-de-chanuca/
Na festa de Chanucá há o costume de ingerir comidas fritas em óleo como bolinhos de batata (levivot ou latkes), e sonhos (sufganiyot). Estes alimentos são preparados e degustados em honra ao milagre que ocorreu com o azeite.
Pratos à base de laticínios, como bolinhos de queijo, são também apreciados, pois lembram os feitos de uma famosa heroína judia, Yehudit, na época do Segundo Templo Sagrado de Jerusalém.
Israel encontrava-se sitiada pelo cruel e opressivo exército Greco-Sírio. Yehudit ajudou a assegurar a vitória para as forças judaicas, assassinando o terrível general do exército grego, Holofernes. Deu a ele queijo salgado para comer, acompanhado de vinho forte para eliminar sua sede. O vinho o “derrubou” fazendo-o cair em sono profundo. Yehudit então tomou de sua espada e o matou. Os soldados do general fugiram com medo. A vitória dos Macabeus seguiu-se a este ato de coragem
*( Fonte: pt.Chabad.org )