As Três Semanas – 17 de Tamuz

As Três Semanas marcam um período de luto anual no qual lamentamos a destruição do Templo Sagrado e o início de nosso exílio.

O período tem início no dia 17 do mês hebraico de Tamuz, data que marca a destruição das muralhas de Jerusalém pelos romanos em 69 da EC.

Chega ao seu clímax e conclui com o jejum de Tishá BeAv,  dia 9 do mês de Av, data em que ambos os Templos Sagrados foram incendiados. Este é o dia mais triste do calendário judaico, e é também a data em que muitas outras tragédias aconteceram ao  nosso povo.

17 de Tamuz

O início das Três Semanas

O jejum de 17 de Tamuz será dia 1 de julho de 2018 (domingo)
Horários do Jejum

O dia 17 de Tamuz é marcado por tristeza e luto; um dia de jejum e introspecção para o povo judeu. Marca a data em que os romanos romperam as muralhas de Jerusalém para darem início à destruição do Segundo Templo, no ano 70 EC. Nessa mesma data Moshê quebrou as tábuas ao ver o povo judeu adorando o bezerro de ouro.

As três semanas mais tristes de nosso calendário vão do dia 17 de Tamuz até 9 de Av -Tishá BeAv. São marcadas por um período de luto pela destruição do Templo Sagrado e o consequente exílio físico e deslocamento espiritual – no qual ainda nos encontramos: a galut.

É chamado de ben hametsarim – “entre os apertos”, baseado no versículo (Echá 1:3) que declara: “Todos seus perseguidores alcançaram-na dentro dos apertos.” Os Sábios (Echá Rabá 1) explicam que ‘dentro dos apertos’ refere-se a dias de aflição que ocorreram no período entre 17 de Tamuz e 9 de Av. Nesse período, muitas calamidades abateram-se sobre o povo judeu através das gerações. Foi durante este período, dentro dos apertos, que tanto o primeiro quanto o segundo Templos foram destruídos. Este período foi portanto estabelecido como um tempo de luto pela destruição dos Santuários.

Durante essa época, diminuímos a extensão de nosso júbilo. Casamentos não são realizados, abstemo-nos de ouvir música, dançar, fazer viagens recreativas, e de cortar os cabelos ou barbear-nos. Segundo o costume sefaradita, que é baseado na opinião de Bet Yossef, cortes de cabelo são permitidos até a semana na qual Tish’á Beav realmente cai.

Costuma-se não recitar a bênção Shehecheyanu nesse período. Dessa maneira, não vestimos roupas novas ou ingerimos frutas que ainda não tenham sido comidas nessa estação, para que não tenhamos que recitar Shehecheyanu. Entretanto, quando confrontados com uma oportunidade de cumprir uma mitsvá que passará – como por exemplo, uma circuncisão ou um pidyon haben – então é feita a bênção. Da mesma forma, se uma fruta nova estiver disponível nesse período de três semanas e talvez não esteja depois, Shehecheyanu é recitada. Como é costumeiro permitir que seja recitada a bênção no Shabat, é preferível guardar a nova fruta até o Shabat. Uma mulher grávida que tenha vontade de comer a fruta, porém, ou uma pessoa doente que necessita dela para sua saúde, pode recitar Shehecheyanu durante as três semanas.

Costuma-se ser ainda mais cuidadoso que o normal ao se evitar situações perigosas. Pessoas devotas separam um período de tempo para reflexão e luto pela destruição de ambos os Templos. Em algumas comunidades costuma-se recitar o Ticun Chatsot mesmo ao meio dia.

Reflexões sobre o mês de Tamuz

Há alguns fatos que ocorreram nessa data e que merecem ser citados.

  • O dia 17 de Tamuz é um dia de jejum em lembrança à cinco tragédias que assolaram o povo judeu em diversas épocas de sua história. O primeiro desses foi o fato de Moshê ter quebrado as Tábuas da Lei. Nas preces de Selichot, rezadas nesse dia, há menção à quebra das Tábuas, sem referência ao motivo (o bezerro de ouro). Isto porque a milagrosa escrita Divina gravada nas Tábuas nunca mais foi recuperada. Foi perdida para sempre essa forte revelação Divina cujas letras estavam gravadas de fora a fora, de forma legível sob qualquer ângulo e cuja mensagem podia ser claramente transmitida, sem qualquer possibilidade de distorção.
  • O número 21 (soma dos dias das Três Semanas) forma a palavra hebraica Ach, que significa apenas; 17 (de Tamuz) tem o valor numérico da palavra hebraica Tov, bem. Ambas iniciam um versículo que diz: “Ach tov Leyisrael”, “Apenas o bem para Israel”. Isto mostra que, de modo mais profundo, os acontecimentos desagradáveis das Três Semanas, na realidade, levarão somente a coisas boas.
  • Número três, no judaísmo, representa perfeição e eternidade. E assim está escrito: “A corda tríplice não se desmanchará facilmente”. De fato, esse número é recorrente: há três Patriarcas, três Festas de Peregrinação, a Lei Escrita é composta de três partes (Torá, Neviim e Ketuvim), entregue no terceiro mês após a saída do Egito, ao povo judeu formado por três grupos (Cohen, Levi e Yisrael) etc.
  • Se o número três é tão significativo, por que então tantas tragédias recaíram sobre o povo judeu durante as Três Semanas? A resposta é que todo esse sofrimento são etapas que levam à Era Messiânica. Isto é aludido ao fato de os dois jejuns, 17 de Tamuz e 9 de Av, sempre coincidirem com o mesmo dia da semana do Sêder de Pêssach, quando comemoramos a saída do Egito e nossa libertação.
  • Quando começa o mês de Av, reduzimos nosso júbilo…” (Talmud, Tratado Ta’anit 26). Começando em 1º de Av, usualmente nos abstemos de diversas atividades que estão associadas à alegria.. Assim, não plantamos árvores destinadas a dar sombra, ou somente pela sua beleza. Da mesma forma, não empreendemos qualquer construção ou projetos para reforma da casa apenas pelo luxo, como redecorar ou pintar a residência. Entretanto, se a pessoa não tem onde morar, pode construir uma casa neste período.
    É proibido comprar, costurar, tecer ou tricotar novas roupas – mesmo se a pessoa pretende usar esta roupa somente após Nove de Av. Não se pode nem mesmo comprar uma roupa usada, se a compra for feita por causa de sua beleza. A proibição de adquirir uma roupa nova é mais rigorosa que vestir algo novo que foi comprado previamente.Deve-se assinalar, entretanto, que estas restrições referem-se apenas a situações onde nenhuma mitsvá esteja envolvida. Com a finalidade de cumprir um mandamento – como por exemplo, adquirir roupa nova para uma noiva ou noivo, ou construir uma casa para eles – estas coisas são permitidas. Se houver motivo para temer que o preço da roupa subirá após Nove de Av, pode-se comprar quaisquer roupas que desejar, mas não se deve usá-las até depois de Nove de Av.A partir de Rosh Chôdesh Av não se pode lavar roupas, mesmo se forem ser usadas até depois de Nove de Av. Se restar apenas uma muda de roupas, porém, estas podem ser lavadas após Rosh Chôdesh, até a semana que inclui Nove de Av.Uma pessoa que transpire profusamente e precise mudar a camisa diariamente deveria preparar uma certa quantidade de camisas, e vestir cada uma delas por alguns instantes antes de Rosh Chôdesh. Poderá então usá-las durante a semana em que cair Nove de Av.

    Além da proibição de terem o cabelo cortado, os adultos também estão proibidos de cortar o cabelo das crianças, começando a 17 de Tamuz, e de lavar as roupas dos filhos a partir de Rosh Chôdesh Av. As roupas de bebês, entretanto, podem ser lavadas – mesmo durante a semana em que cai o Nove de Av. Se possível, não se deve lavar grandes quantidades, e não se deve fazê-lo publicamente.

    É proibido calçar sapatos novos a partir de Rosh Chôdesh. Entretanto, calçados adquiridos especialmente para o Nove de Av – como por exemplo, feitos de lona ou borracha – podem ser usados mesmo se forem novos.

    Pode-se realizar um noivado durante este período, mas não é permitido realizar uma celebração com refeição festiva.

    A partir de Rosh Chôdesh até depois de Nove de Av é proibido comer carne ou beber vinho, pois durante este período os sacrifícios e libações no Templo Sagrado cessaram. Pelo costume, esta proibição expandiu-se para incluir alimentos cozidos com carne. Entretanto, pode-se ingerir alimentos que foram preparados numa panela de carne. O costume sefaradita é manter este rigor apenas na semana que inclui Nove de Av. Em uma refeição festiva servida por ocasião de uma circuncisão, pidyon haben, bar mitsvá, ou na conclusão do estudo de um tratado talmúdico, etc. – pode-se comer carne e beber vinho.

    Começando em Rosh Chôdesh, é costumeiro para os abatedores rituais deixar as facas de lado. Durante este período, são abatidos animais somente para pessoas doentes, ou para uso em uma refeição festiva.

    Costuma-se não usar vinho, mas cerveja, para o serviço de Havdalá.

    Começando em Rosh Chôdesh Av [segundo o costume sefaradita, começando com a semana que inclui Nove de Av], não se pode banhar o corpo inteiro – nem mesmo em água fria. Não nos banhamos em piscina, rio, ou mar. Entretanto, se Rosh Chôdesh cair numa sexta-feira, pode-se banhar em água morna em honra ao Shabat.

    A proibição acima refere-se especificamente a banhar-se por prazer. Quem precisar banhar-se por razões de saúde – como uma pessoa que recebeu ordens do médico para banhar-se – ou um operário cujo trabalho o faça ficar sujo, pode fazê-lo durante este período.

    Na sexta-feira antes de Shabat Chazon – o Shabat imediatamente anterior a Nove de Av – é proibido lavar o corpo inteiro, mesmo em água fria. Pode-se lavar o rosto, as mãos e os pés em água fria. Quem costuma se lavar antes do Shabat com água quente pode usá-la também nesta sexta-feira, mas apenas para lavar o rosto, as mãos e os pés.

    Quem costuma imergir num micvê na sexta-feira, pode fazê-lo na sexta-feira do Shabat Chazon também. Entretanto, alguém que apenas ocasionalmente imerge às sextas-feiras, não deve fazê-lo nesta sexta-feira.

    Shabat Chazon

    O Shabat que precede Nove de Av é chamado Shabat Chazon, pois a Haftará lida neste Shabat é extraída do primeiro capítulo de Yeshayahu, que começa com as palavras Chazon Yeshayahu. Esta haftará é a última das três leituras dos Profetas que falam das calamidades que se abateram sobre Israel, e que são lidas antes de Nove de Av. Costuma-se chamar o líder da congregação para ler a haftará de Chazon.

    O versículo – Como posso suportar sozinho o trabalho que me dais, a vossa carga e a vossa contenda (Devarim 1:12), encontrado na porção semanal da Torá lida neste Shabat, é costumeiramente cantado com a lamentosa melodia do cântico de Meguilat Echá. Em algumas comunidades, esta melodia também é usada para entoar a haftará inteira; em outras comunidades, esta melodia é usada apenas para os versículos de admoestação dentro da haftará.

    Pode-se comer carne e beber vinho em todas as três refeições no Shabat Chazon, mesmo se coincidir com o próprio Nove de Av [neste caso o jejum é adiado até o dia seguinte]. Entretanto, seudá shelishit – a terceira refeição do Shabat – não deveria ser estendida até a noite, como é habitual nos outros Shabatot. Ao contrário, a refeição deve ser encerrada antes do pôr-do-sol.

    Quando Shabat Chazon cai no dia que antecede Nove de Av, a Havdalá inteira não é recitada na conclusão do Shabat, ou seja, não recitamos a bênção sobre o vinho ou sobre especiarias. Ao contrário, apenas a bênção sobre a criação do fogo [borê meorê haesh] é feita. No encerramento de Nove de Av, são recitadas as bênçãos sobre o vinho e a bênção que diferencia entre o sagrado e o secular [hamavdil ben côdesh lechol]. Mulheres que não rezam Ma’ariv devem recitar Baruch hamavdil ben côdesh lechol no sábado à noite, antes de fazer qualquer serviço.

  • 9 de Av

    O dia 9 de Av, Tishá BeAv, celebra uma lista de catástrofes tão graves que é claramente um dia especialmente amaldiçoado por D’us. O Primeiro Templo foi destruído nesse dia. Cinco séculos mais tarde, conforme os romanos se aproximavam do Segundo Templo, prontos para incendiá-lo, os judeus ficaram chocados ao perceber que o Segundo Templo foi destruído no mesmo dia que o Primeiro.

    Quando os judeus se rebelaram contra o governo romano, acreditavam que seu líder, Shimon bar Kochba, preencheria suas ânsias messiânicas. Mas suas esperanças foram cruelmente destroçadas em 135 EC, quando os judeus rebeldes foram brutalmente esquartejados na batalha final em Betar. A data do massacre? Nove de Av, é claro!

    Os judeus foram expulsos da Inglaterra em 1290 EC em, você já sabe, Tishá BeAv. Em 1492, a Idade de Ouro da Espanha terminou quando a Rainha Isabel e seu marido Fernando ordenaram que os judeus fossem banidos do país. O decreto de expulsão foi assinado em 31 de março de 1492, e os judeus tiveram exatamente três meses para colocar seus negócios em ordem e deixar o país. A data hebraica na qual nenhum judeu mais teve permissão de permanecer no país onde tinha desfrutado de receptividade e prosperidade? A esta altura, você já sabe que é 9 de Av.

    Pronto para mais? A Segunda Guerra e o Holocausto, concluem os historiadores, foi na verdade a conclusão arrastada da Primeira Guerra, que começou em 1914. E sim, a Primeira Guerra Mundial começou, no calendário hebraico, a 9 de Av – Tishá BeAv.

    O que você conclui disso tudo? Os judeus veem esses fatos como outra confirmação da convicção profundamente enraizada de que a História não ocorre por acaso; os acontecimentos – mesmo os terríveis – são parte de um plano Divino, e têm um significado espiritual. A mensagem do tempo é que há um propósito racional, muito embora não possamos entendê-lo.

     Véspera de Nove de Av

  • Quando se aproxima o fim do dia, a pessoa deveria fazer a refeição final. Nesta refeição, não se pode ingerir os dois tipos de comida cozida, mesmo se forem da mesma variedade – i.e., dois tipos de macarrão. Mesmo se o alimento cozido é geralmente ingerido cru, neste caso adquire o status de um alimento cozido.Costuma-se comer um ovo cozido ou lentilhas na refeição final, como sinal de luto. A pessoa não deve servir-se de nenhum outro alimento cozido, e deve comer pão, laticínios ou frutas. Alguns observam o costume de comer um pedaço de pão que foi mergulhado em cinzas.

    Costuma-se fazer a refeição final sentado no chão, ou em um banquinho baixo. Segundo algumas pessoas, há um significado oculto em colocar um tapetinho ou pedaço de pano, para não sentar-se diretamente sobre o chão. Não é necessário tirar os sapatos antes de fazer a refeição.

    Após a refeição final, se o sol ainda não se pôs, a pessoa pode continuar comendo – desde que não pretenda ou declare que aceitou o jejum. Entretanto, se a pessoa não pretendesse comer novamente porque estava satisfeita, pode comer outra vez desde que não tenha tido a intenção de aceitar o jejum ainda. É correto declarar ou ter a intenção específica de que não se impôs o jejum até o pôr-do-sol.

    O estudo de Torá é proibido em Nove de Av, pois o versículo (Salmos 19:9) declara: “Os estatutos de D’us são corretos, rejubilam o coração,” e quem esteja de luto está proibido de rejubilar-se. O costume é abster-se de estudar Torá a partir do meio-dia da véspera de Nove de Av.

    Algumas pessoas têm o costume de fazer uma refeição completa – sem carne ou vinho – no início da tarde [antes da refeição final] para que o jejum não lhes cause mal-estar.

    Este costume serve também como uma comemoração do caráter festivo tanto da véspera de Nove de Av quanto do próprio Nove de Av, durante o período do Segundo Templo Sagrado. Durante este período, os quatro dias de jejum que comemoram a destruição do Primeiro Templo Sagrado foram celebrados como dias festivos, e as pessoas comiam, bebiam, e se alegravam até mesmo no próprio Nove de Av. Nós, que não tivemos o mérito de consolo, comemoramos esta festa em lembrança do que foi e do que será novamente no futuro, quando o Templo Sagrado for reconstruído – que seja brevemente em nossos dias. Este costume demonstra nossa fé e confiança em D’us e nossa antecipação da salvação.

    As preces vespertinas são recitadas mais cedo que de costume, para permitir tempo suficiente para a refeição final, e Tachanun é omitido, pois o versículo (Echá 1:15) refere-se ao Nove de Av como sendo uma Festa.

    Na véspera de Nove de Av, não se deve passear descuidadamente em locais públicos, com o espírito relaxado, para que não ocorram risos e frivolidades.

    Três pessoas não devem fazer juntas a refeição final. Se o fizerem, não deverão recitar juntas a Graça após as Refeições.

    Pode-se comer frutas frescas e vegetais à vontade durante a refeição final, embora alguns não comam saladas vegetais como acompanhamento. Pode-se beber chá ou café depois.

    Qualquer alimento que consista de duas variedades que são geralmente cozidas juntos em uma panela é considerado como sendo um prato cozido sozinho. Os devotos, entretanto, comem somente um pedaço salgado de pão seco com um copo de água. O Talmud (Tratado Ta’anit 30a) registra:

    Este era o costume de R. Yehudá bar Ilai: Na véspera do Nove de Av traziam-lhe um pedaço de pão salgado seco, e ele sentava-se perto do fogão [o lugar mais feio na casa (Rashi)] e ele o comia junto com um copo de água, como aqueles cujo parente morto jazia à sua frente.

    Leis referentes a nove de Av

  • Há cinco coisas proibidas em Nove de Av: comer e beber, lavar-se, untar-se com óleo, vestir sapatos de couro e coabitar.Não há diferença entre a noite (da véspera) e o dia de Nove de Av. Pode-se comer sómente antes do pôr-do-sol na véspera de Nove de Av; o crepúsculo é considerado como noite, e alimentar-se é proibido.Todos devem jejuar em Nove de Av, incluindo mulheres grávidas e mães em fase de amamentação. Quem estiver doente, porém, pode comer, mesmo se sua doença não lhe ameaça a vida. Entretanto, uma pessoa doente deve abster-se de comer iguarias e deveria ingerir somente o que for absolutamente necessário para seu bem-estar físico.Se Nove de Av cai num domingo e uma pessoa doente precisa comer durante o jejum, deve recitar Havdalá antes de comer [pois Havdalá não é recitado na noite anterior por causa de Nove de Av].A pessoa não pode enxagüar a boca em Nove de Av, até o fim do jejum.

    Lavar-se por prazer é proibido, tanto em água quente quanto fria. Entretanto, se as mãos estão sujas, pode lavá-las. Pode também lavar as mãos após levantar-se pela manhã como faz todos os dias, bem como após usar o banheiro. Entretanto, não pode lavar a mão inteira, mas apenas os dedos. Com os dedos ainda úmidos, pode lavar os olhos com eles. Se os olhos estão sujos, pode enxagüá-los como faz normalmente.

    Se a pessoa estiver cozinhando e preparando comida, pode lavar os alimentos, pois a intenção não é lavar as mãos.

    A proibição de calçar sapatos aplica-se àqueles de couro. Sapatos feitos de lona ou borracha podem ser usados. Porém, se são cobertos de couro ou se têm solas de couro, não podem ser usados. Se alguém está caminhando em local repleto de espinhos ou numa área povoada de não-judeus [onde sua aparência poderia ser ridicularizada], pode calçar sapatos normais nestes locais.

    É permitido banhar um bebê e aplicar óleo em sua pele, da maneira que normalmente é feito.

    Todas as proibições acima mencionadas se aplicam a partir do pôr-do-sol na véspera de Nove de Av até o final do jejum.

    Como se explicou acima, o estudo de Torá é proibido em Nove de Av porque o estudo de Torá traz alegria à pessoa. Entretanto, pode-se estudar o terceiro capítulo do tratado Mo’ed Catan, que fala das leis de luto e excomunhão. Pode-se também estudar o Midrash do Livro de Echá; Echá com seus comentários, e Iyov com seus comentários, pois estas obras despertam um sentimento de tristeza no leitor. Pode-se também estudar os capítulos de admoestação e calamidades registradas em Yirmiyahu; entretanto, deve-se ter o cuidado de pular aqueles versículos que falam de consolação. A pessoa pode também estudar os trechos do Talmud sobre a Destruição, registrada no Tratado Guitin.

    Não se deve cumprimentar um amigo e perguntar como vai em Nove de Av, e não se deve nem dizer “bom dia.” Se alguém for cumprimentado, porém, pode responder para não ofender os sentimentos, mas em um tom de voz baixo. É proibido também enviar presentes em Nove de Av.

    Em Nove de Av, é costume abster-se de fazer qualquer trabalho que deva ser feito em um período longo de tempo, pois empenhar-se nesse tipo de atividade distrai a pessoa de sentir tristeza. Deve evitar este tipo de serviço na noite da véspera de Nove de Av, e até o meio-dia de Nove de Av. Após meio-dia, este tipo de trabalho não é habitualmente proibido, mas mesmo assim é recomendável que a pessoa seja severa consigo mesma e evite este trabalho até que termine o jejum.

    Da noite de Nove de Av até meio-dia, deve-se sentar no chão ou sobre um banquinho com altura não maior que três larguras de mão.

    Deve-se evitar andar pelas ruas ou ir ao mercado, para não conversar à toa e assim distrair-se do sentimento de luto. Deve-se certamente evitar atividades que possam levar à leviandade.

    Alguns seguem o costume de não dormir em uma cama em Nove de Av; em vez disso, dormem em colchões colocados no chão. Em qualquer dos casos, a pessoa deve variar seus hábitos de dormir; por exemplo, se costuma dormir com dois travesseiros, deve usar apenas um. Algumas pessoas colocam uma pedra sob o travesseiro ou colchão, como forma de relembrar a Destruição do Templo.

    É costume iniciar somente após meio-dia o preparo dos alimentos que serão comidos quando terminar o jejum.

    Não se deve cheirar perfumes ou especiarias em Nove de Av, nem fumar em público.

    Não se deve vestir roupas bonitas em Nove de Av, mesmo que a roupa não seja nova.

    Muitos têm o costume de lavar o chão e limpar a casa após meio-dia em Nove de Av, em antecipação da Redenção que aguardamos. Além disso, é uma tradição que o Mashiach nascerá em Nove de Av.

    Costuma-se dizer que a pessoa que come ou bebe em Nove de Av sem ter de fazê-lo por razões de saúde não merecerá ver o júbilo de Jerusalém. E quem prantear sobre Jerusalém merecerá ver sua felicidade, como promete o versículo (Yeshayahu 66:10): “Rejubile-se grandemente com ela, todos que por ela pranteiam

Criando um receptáculo

Um de nossos grandes sábios, Ben Azzai, declarou no Talmud: “Você será chamado por seu nome, sentará em seu lugar, receberá aquilo que é seu. Ninguém toca naquilo que está destinado a outro. Nenhum reino toca o vizinho, nem mesmo num fio de cabelo.” (Yoma 38 a-b).
A declaração de Ben Azzai não pretende nos encorajar a permanecer sentados, relaxando, esperando que tudo aconteça. Pois, para receber realmente tudo que nos pertence, é preciso trabalhar. Às vezes este trabalho é físico. Às vezes é intelectual. O tempo todo é espiritual: prece, auto-desenvolvimento, mitsvot. Todos estes esforços ajudam a pessoa a aprofundar e ampliar o “recipiente” no qual D’us pode “despejar” as bênçãos Divinamente pré-ordenadas.
Mas para começar, deve-se fazer um “recipiente” para as próprias bênçãos Divinas. A pessoa deve fazer um recipiente dentro de si que esteja preparado para conter a bondade Divina que lhe é devida. Cumprir mitsvot fornece o material e o know-how para construir o recipiente. Este é criado pelas mitsvot que são feitas para cumprir a vontade de D’us, não a nossa, mas a Dele . Ao anular a própria vontade, a pessoa cria um receptáculo vazio. E um receptáculo vazio tem mais espaço no qual as bênçãos podem ser canalizadas que um recipiente repleto ou parcialmente cheio.
O conceito de criar um recipiente para a bênção de D’us , acrescentando-se mitsvot ao repertório de mitsvot de alguém, ou cumprindo mais escrupulosamente uma mitsvá, é uma sugestão recorrente nos ensinamentos do Rebe. Mais que simplesmente “Você faz uma para mim e eu farei uma para Você”, cumprir mitsvot cria um “tanque de mitsvot”, e um “baú do Tesouro de Torá” que pode ser enchido com o bem ilimitado e bênçãos de D’us: Infinito e Ilimitado.

*( Fonte :Chabad.org.br,)

 

O Rebe – Guimel Tamuz

Em honra ao Yahrzeit do Rebe de Lubavitcher – Guimel Tamuz

Nascimento e infância

Em 1900, Rabi Levi Yitschac Schneerson, renomado pela sua erudição talmúdica e haláchica e em Cabalá casou-se com Rebetsin Chana Yanovski, aristocrática, de família rabínica prestigiosa.cujo pai, Rabi Meir Shlomo, era rabino da cidade de Nicolaiyev, Ucrânia.

No dia 11 de Nissan (18 de abril de 1902), nasceu seu primeiro filho, bisneto do terceiro Lubavitcher Rebe, seu homônimo.Menachem Mendel.

Seu pai, Rabi Levi Yitschac era bisneto de Rabi Baruch Shalom, o filho mais velho do Tsemach Tsedec (terceiro Rebe de Chabad-Lubavitch e neto do fundador do Movimento, Rabi Schneur Zalman, o Alter Rebe) e Rabino-Mor de Yecatrinoslav (Dniepropetrovsk) de 1907 a 1939.

Desde a infância, o Rebe mostrava prodigiosa inteligência, e logo teve de deixar o chêder, por estar muito à frente dos colegas. Aos nove anos, o diretor da escola local disse a seus pais que não havia mais nada que pudesse lhe ensinar. Desde então, seu pai – ele próprio um célebre erudito e cabalista – encarregou-se da educação do filho, empregando tutores e ensinando-o pessoalmente.

Uma autoridade rabínica certa vez visitou o pai do Rebe. Os dois sábios começaram a discutir delicados pontos de estudo, sem perceber que Mendel, então com oito anos, havia entrado na sala e estava ouvindo com atenção.

O convidado notou a expressão concentrada no rosto do menino. “Ele entende o que estamos dizendo?” perguntou. Com um olhar de conhecedor, o pai replicou: “É impossível saber.”

Teve um grande exemplo e forte influência de seus pais durante sua vida. Seu pai, Rabi Levi Yitschac, agia com raro grau de dignidade e coragem para sustentar e fortalecer o judaísmo sob o regime comunista. Ao seu lado contava sempre com a grande coragem e abnegação de sua esposa, Rebetsin Chana, mãe do Rebe, que não poupava esforços colocando sua vida em risco, para que seu marido pudesse continuar escrevendo suas obras sagradas. Rabi Levi Yitschac foi preso e exilado para o vilarejo distante de Chi li, na Ásia Central e como resultado dos seus sofrimentos , faleceu no exílio, na cidade vizinha de Alma Ata, em 20 de Menachem-Av, 1944, aos 66 anos.

Casamento

O Rebe encontrou o sexto Rebe de Lubavitch, Rabi Yossef Yitschac Schneerson, em 1923, em Rostov, Rússia. Em 27 de novembro de 1928 casou-se com Chaya Mussia (1901-1988), segunda filha do Rabi Yossef Yitschac. A Rebetsin é lembrada pela sua excepcional erudição, embora fosse de comportamento compassivo, humilde e despretensioso.

O casamento foi realizado em Varsóvia, Polônia, na terça-feira à tarde, em 14 de Kislêv de 1928. Centenas de Chassidim Chabad de Varsóvia, das áreas polonesas, da Lituânia e da Rússia Branca compareceram, além de renomados Rebes e eruditos.

Logo após o casamento, o Rebe mandou o jovem casal viver em Berlim, então a capital intelectual da Europa Ocidental, onde Rabi Menachem Mendel deveria passar parte do seu tempo estudando em famosos centros de estudos e acabou matriculando-se na Universidade de Berlim. Rabi Yossef Ber Soloveichik também encontrava-se em Berlim naquela época e os dois passaram muito tempo juntos, em estudos gerais e talmúdicos. Rabi Soloveichik relembra que o Rebe trazia um volume do Talmud ou outros textos da Torá a suas palestras, e o colocava dentro do livro de textos. Certa vez, um dos professores ficou aborrecido pela aparente falta de atenção do Rebe, e no meio da palestra, acreditando que ele não o estava ouvindo, resolveu testá-lo: “Pode repetir uma palavra daquilo que eu disse?” perguntou ele. Humildemente, o Rebe levantou-se e repetiu a palestra inteira, palavra por palavra.

Embora o Rebe passasse a maior parte de seu tempo em Paris envolvido nos estudos, também deu muitas aulas. Eliyáhu Reichman lembra-se que quando jovem assistiu diariamente a aula de Talmud dada pelo Rebe. Uma vez ele e outro aluno perceberam que o Rebe tinha citado uma passagem de modo ligeiramente diferente do que aparecia no texto. Depois que a aula terminou, foram à estante do Rebe para conferir o texto do Talmud que ele usara; talvez tivesse uma versão diferente? Para sua surpresa, viram que o Rebe tinha usado um tratado completamente diferente! Havia uma escassez de textos,e vários alunos tinham que estudar usando o mesmo volume. A fim de deixar um texto adicional disponível para os alunos, o Rebe tinha recitado as passagens de cor, e para esconder o problema dos alunos, fingira usar um livro com outro tratado.

Formação

Em 1933, a mudança do regime forçou Rabi Menachem Mendel a deixar a Alemanha, onde se graduara em Heidelberg, em Engenharia Superior e mudar-se para Paris. Matriculou-se na Sorbonne onde receberia outro diploma, Engenharia Mecânica, com especialização em Projeto Naval.

O conhecimento adquirido nestes estudos habilitaram-no a resolver dúvidas haláchicas nos anos subseqüentes. Por exemplo, quando houve uma discussão sobre se um navio com tripulação de judeus poderia viajar no Shabat, o Rebe comentou: “A alegação de que tais trabalhos proibidos podem ser realizados automaticamente demonstra não apenas ignorância sobre os princípios haláchicos no trabalho, como também ignorância sobre os rudimentos da engenharia.”

O Rebe sempre dedicou-se primordialmente à oração, ao estudo da Torá preocupando-se com cada judeu, onde quer que se encontra-se.

Chegada aos Estados Unidos

Segunda-feira, 23 de junho de 1941, o Rebe e a Rebetsin chegaram aos Estados Unidos, havendo milagrosamente escapado da investida nazista e se estabelecendo em Nova York. Seu sogro, Rabi Yossef Yitschac Schneerson, que havia chegado aos Estados Unidos um ano antes, escolheu-o para liderar suas recém-fundadas organizações: Merkos Linyonei Chinuch, o braço educacional do movimento Lubavitch; Machané Israel, a organização de serviço social do movimento; e a Sociedade Kehot de Publicação, a editora de Lubavitch.

Logo após o Rebe começou a escrever suas anotações eruditas sobre vários tratados chassídicos e cabalísticos, bem como uma vasta gama de responsas. Com a publicação dessas obras, logo foi reconhecido por eruditos de todo o mundo.

Liderança

Em 1950, Rabi Yossef Yitschac faleceu. Embora o Rebe fosse escolhido como seu sucessor foi relutante no início em aceitar o manto da liderança. Apenas um ano mais tarde assumiria formalmente o título de “Rebe”: foi em 28 de Janeiro, 10 de Shevat de 5710.

Em seu primeiro discurso como Rebe, ele afirmou que a missão da nossa geração é a de trazer Mashiach (Messias).

O Rebe organizou um corpo de shluchim – emissários de Lubavitch – e os encarregou de estabelecer centros Chabad-Lubavitch no mundo. Hoje milhares de instituições Chabad-Lubavitch cobrem o planeta. Além de se preocupar com cada indivíduo, o Rebe dava atenção especial a órfãos e viúvas de soldados israelenses, as crianças de Chernobyl, entre outros. Mais de 1300 crianças recebem tratamento médico em Kfar Chabad. Para os meninos órfãos, são celebradas anualmente cerimônias de bar-mitsvá, no Muro das Lamentações. Além disso, foram criados vários centros de reabilitação para pessoas viciadas em drogas. O Rebe estabeleceu cerca de 60 instituições de ensino judaico na Comunidade dos Estados Independentes e na Letônia. Centenas de emissários visitam regularmente e muitos outros estabelecem lá suas residências para promover as atividades judaicas. A organização Ezrat Achim envia toneladas de alimentos para os judeus destes países.

O Rebe foi quem iniciou o movimento de teshuvá (retorno ao autêntico judaísmo), através de uma forma revolucionária de difundir o judaísmo para todos os judeus com a sua famosa “Campanhas das Mitsvot” (campanha das boas ações). A colocação dos tefilin, o acendimento das velas de Shabat e Yom Tov pelas mulheres judias, a cashrut, a prática da tsedacá, a educação baseada na Torá, entre outras. Na época foi duramente criticado, enfrentando forte oposição, ao dizer que esta era a única maneira de salvar o judaísmo da assimilação. Suas campanhas inovadoras hoje servem de modelo a diversas instituições judaicas que atraem judeus de volta a sua herança exatemente como o Rebe já fazia há 5 décadas.

Sua preocupação com a educação e o futuro da humanidade foi reconhecida nos Estados Unidos. A data de nascimento do Rebe, 18 de abril,(11 de Nissan) foi transformada pelo Presidente Ronald Reagan em “Dia Nacional da Educação”.

Entre as previsões que fez sobre situações mundiais as que mais repercutiram foram a abertura da Cortina de Ferro, com a emigração maciça de judeus soviéticos para Israel, ao alertar o governo israelense para a construção de casas e condições de emprego para estes judeus. E isto aconteceu numa época em que tal possibilidade era impensável.

Outra previsão fantástica: durante a Guerra do Golfo, em 1991, o Rebe foi o único a dizer que esta guerra não atingiria o povo judeu, declarando que as máscaras de gás não seriam necessárias. Ele declarava isso enfaticamente mesmo durante o contínuo bombardeio de scuds sobre israel, pois lá “é o lugar mais seguro do mundo.”

Conscientizou sobre a iminente vinda de Mashiach (Messias) e da importância de “recepcioná-lo” apropriadamente, principalmente através de um estudo intensivo dos assuntos relativos à era messiânica, contidos na Torá, Talmud, e outras fontes judaicas, como no código de leis de Maimônides.

Todos os domingos o Lubavitcher Rebe costumava receber e abençoar as vastas multidões que vinham buscar as suas palavras de sabedoria e bênção. A cada uma das milhares de pessoas que o procuravam entregava uma nota de um dólar para ser doada a uma instituição de caridade à critério da pessoa. Além de pessoas comuns, diversas personalidades judias e não-judias pediam seu conselho e bênção.

Falecimento

No dia 2 de março de 1992, aos 89 anos, o Rebe sofreu o seu primeiro derrame. Mesmo sem se recuperar totalmente, ele continuou a responder, aconselhar e abençoar a todos que o procuravam. Dois anos após este incidente, sofreu um segundo derrame.

No dia 12 de junho de 1994 (3 de Tamuz, 5754 – “Guimel Tamuz”) o Rebe faleceu. Mas conforme pronunciou-se na época do falecimento de seu sogro, o Tsadic continua vivendo através de seus ensinamentos e de todo o legado que deixou a seus chassidim e a todos que foram tocados pela sua imensurável sabedoria, exemplo vivo de Torá e amor incondicional. As centenas de volumes que transmitem seu conhecimento e orientação em cada assunto continuam a influenciar a maneira de conduzir nossas vidas e nos preparar para o início de uma nova era. Que seja em breve, se D’us quiser!

*Observâncias do Yahrtzeit

Quando Guimel Tamuz cai no Shabat, como nesse ano, a observância de acender uma vela e dar tsedacá, bem como enviar uma carta ao Ôhel devem ser feitas antes do horário de acendimento das velas a fim de não profanar o dia sagrado de Shabat.

O artigo a seguir é uma tradução livre de uma carta pública escrita pelo Rebe pouco antes do primeiro yahrtzeit (aniversário de falecimento) de seu sogro e predecessor, Rabi Yossef Yitshac Schneersohn de Lubavitch, na qual o Rebe orienta os chassidim sobre como observar o yahrtzeit. Os chassidim observam os costumes de yahrtzeit na data de falecimento do Rebe, 3 de Tamuz. A carta é datada de Rosh Chodesh Shevat, 5711 [8 de janeiro, 1951].

Pela Graça de D’us
Rosh Chodesh Shevat, 5711
Brooklyn, NY

Aos membros da nossa comunidade, os Temimim1, e a todos que estão de alguma maneira conectados com meu reverenciado sogro o Rebe, de abençoada memória.

D’us abençoe a todos.
Saudações e bênção: Em resposta aos muitos pedidos para uma programação detalhada para o próximo Dez de Shevat, yahrtzeit de meu respeitado sogro o Rebe, hareini kaparat mishkavo2, por meio desta sugiro o seguinte3:

No Shabat anterior ao yahrtzeit, cada qual deve tentar ser chamado à Torá para uma aliyá. Se não houver aliyot suficientes, a Torá deve ser lida algumas vezes em salas diferentes. No entanto, nenhuma adição deve ser feita ao número de aliyot por leitura4. Aquele que é homenageado com Maftir deve ser o mais respeitado convergente, conforme determinado pela maioria; alternativamente, a escolha pode ser determinada por sorteio.

A congregação deve escolher alguém para liderar as preces no dia do yahrtzeit. É adequado dividir a honra, escolhendo uma pessoa para liderar o serviço noturno (Maariv), uma segunda para liderar o serviço matinal (Shacharit), e uma terceira – o serviço vespertino (Minchá). Assim um número maior de membros da comunidade terá o privilégio.

Uma vela de yahrtzeit deve ser acesa para arder durante vinte e quatro horas. Se possível, a vela deve ser de cera de abelha.

Cinco velas devem ser acesas durante os serviços de preces.

Após cada serviço de prece (no serviço matinal – após a leitura de Tehilim), aquele que lidera as preces deve estudar (ou pelo menos concluir o estudo de) as seguintes seleções da Mishná: Capítulo 24 de Keilim e capítulo 7 de Mikvaot. Ele deve então recitar a mishná “Rabi Chananyah ben Akashya…”, seguido silenciosamente por algumas linhas do Tanya, e Kadish de Rabanan.

Após Maariv, parte do maamar (discurso) intitulado “Bati LeGani”, que o Rebe liberou para o dia de seu falecimento, deve ser recitado de memória. Se não houver ninguém para fazê-lo de memória, deve ser estudado do texto. Isto deve ser continuado após Shacharit, e o discurso deve ser concluído após Minchá.

Antes de Shacharit, deve-se estudar um capítulo do Tanya. Isso também deve ser feito após Minchá.

Pela manhã, antes da prece, deve-se doar para causas de caridade associadas com nosso Nassi, meu reverenciado sogro, de sagrada memória. As doações devem ser feitas em nome de si mesmo e em nome de cada membro da família. O mesmo deve ser feito antes de Minchá.

Após Shacharit e a recitação do maamar, cada indivíduo deve ler um pidyon nefesh. (Desnecessário dizer que um gartl deve ser usado durante a leitura.)

Aqueles que tiveram o privilégio de serem recebidos pelo Rebe em yechidut, ou pelo menos ver seu rosto, deveriam – enquanto lêem o pidyon nefesh – visualizar-se como estando perante a sua presença. O pidyon nefesh deve então ser colocado entre as páginas de um discurso maamar ou outro panfleto de ensinamentos do Rebe, e enviado, se possível no mesmo dia, para ser lido no seu túmulo.

No decorrer do dia a pessoa deve estudar capítulos da Mishná com as letras do nome do Rebe.

No decorrer do dia a pessoa deve participar de um farbrenguen (reunião chassídica).

No decorrer do dia a pessoa deve reservar um tempo para falar com a família sobre o Rebe, e sobre as missões espirituais que ele cumpriu durante a vida.

No decorrer do dia, as pessoas (às quais esta tarefa seja apropriada) deve falar em sinagogas e casas de estudo em suas cidades e citar um dito ou adágio dos ensinamentos do Rebe, Eles devem explicar como ele amava todo judeu.

Devem divulgar e explicar a prática que ele instituiu de recitar Salmos todo dia, estudando a porção diária de Chumash com o comentário de Rashi, e (para audiências adequadas) estudar o Tanya conforme ele o dividiu em leituras diárias para todo o ano. Se possível, isso deve ser feito durante um farbrenguen.

No decorrer do dia, as pessoas (que estejam aptas para esta tarefa) devem visitar centros de jovens observantes – e, num espírito de boa vizinhança, fazer todos os esforços para visitar também centros para jovens que ainda não são observantes – para falar-lhes sobre o grande amor que o Rebe tinha por eles.

Deve-se explicar a essas pessoas o que o Rebe esperava delas, sua esperança e a confiança que ele depositava neles, de que cumpririam a tarefa de fortalecer o Judaísmo e disseminar o estudo de Torá com toda a energia, calor e vitalidade que caracterizam a juventude.

Se as condições permitirem, todo o acima deve ser continuado durante os dias seguintes ao yahrtzeit, especialmente no Shabat seguinte.

Que D’us apresse a vinda do nosso Redentor, e então “Aqueles que habitam no pó despertarão e se alegrarão.” E nosso Nassi entre eles nos dará maravilhosas notícias, e nos liderará pelo caminho que leva à Casa de D’us.

 *( Fonte: pt.chabad.org)

Aprendendo a rezar

A prece é um importante componente da recuperação para quem está doente.

Começamos cada dia rezando por outro dia de saúde, e pedimos a D’us por serenidade, coragem e sabedoria.

Algumas pessoas, especialmente no início da recuperação, reclamam quenão sabem como rezar. “Tentei rezar” – dizem eles – “mas não consigo.” Alguns veteranos recomendam: “Apenas diga as palavras, mesmo que não sinta nada. O sentimento acabará por surgir.”

Às vezes a dificuldade para rezar origina-se de uma forte auto-suficiência. Simplesmente não conseguimos nos forçar a pedir ajuda, nem mesmo a D’us, porque devemos fazer tudo por nós mesmos. Estes sentimentos de onipotência são característicos da doença,, e se dissiparão com o restabelecimento.

Geralmente rezamos por aquilo que consideramos as necessidades básicas da vida: saúde, sabedoria e meios para viver confortavelmente. Porém a prece deve ser por outras coisas também. Por que não rezar pedindo a capacidade de rezar? Poderíamos dizer: “Querido D’us, tenho tentado me comunicar com o Senhor, mas não sei como. Por favor, ajuda-me a chegar a Ti e aprender a me comunicar.”

Isto não é nem um pouco estranho. Comemos tira-gostos antes da refeição. Se podemos comer para estimular nosso apetite, então também podemos rezar para estimular nosso desejo de nos conectar com o Criador.

*( Fonte: chabad.org.br)
(Imagem:Theodor Tolby)

Shavuot 5778 – 19 a 21 de maio, 2018

fYVq3726446_thumb[2]

 Shavuot 5778 – 19 a 21 de maio, 2018

Como este ano Shavuot tem início logo após o término do Shabat, o costume de decorar a sinagoga e a casa com flores e vegetação deve ser preparado antes do início do Shabat.

Na sexta-feira, antes do acendimento das velas de Shabat. Deixe  uma chama pré acesa para poder transferir o fogo para o acendimento das velas de Yom Tov, bem como para poder cozinhar no Yom Tov.. Mulheres e meninas acendem as velas sábado a noite após o havdalá em honra ao Yom Tov, transferindo o fogo desta chama e recitando as bênçãos apropriadas.

Horário das Velas

Sábado, 19 Maio, 2018 – 5 Sivan, 5778
Véspera do primeiro dia de Shavuot
Acender as velas após
18:06

Domingo, 20 Maio, 2018 – 6 Sivan, 5778
Véspera do segundo dia de Shavuot
Acender as velas após
18:06

Segunda-feira, 21 Maio, 2018 – 7 Sivan, 5778
Término do dia festivo
18:06

Shavuot

Shavuot é o dia da outorga da Torá. Segundo dos três maiores Dias Festivos (Pêssach é o primeiro e Sucot o terceiro).A palavra Shavuot significa “semanas”: assinala a compleição das sete semanas entre Pêssach e Shavuot (o período do ômer), durante o qual o povo judeu preparou-se para a Outorga da Torá. Durante este tempo, purificou-se das cicatrizes da escravidão e tornou-se uma nação sagrada, pronta a entrar em uma aliança eterna com D’us.

Nomes adicionais
Shavuot é também chamada de Atsêret, que significa a Compleição, porque juntamente com Pêssach, completa uma unidade. Ganhamos nossa liberdade em Pêssach a fim de recebermos a Torá em Shavuot.
Outro nome para Shavuot é Yom Habicurim, ou o Dia dos Primeiros Frutos. Numa expressão de agradecimento a D’us, começando em Shavuot, cada fazendeiro na terra de Israel levava ao Templo Sagrado uma oferenda do primeiro trigo, cevada, uvas, figos, romãs, azeitonas e tâmaras que cresciam no campo.
Shavuot é também chamado Chag Hacatsir, a Festa da Colheita, porque o trigo, o último dos grãos a ficar pronto para ser cortado, era colhido nesta época do ano.

As atividades proibidas no Shabat também o são em Shavuot, com exceção de carregar em um domínio público e cozinhar (se for utilizado fogo de uma chama acesa desde a véspera).

• Em Shavuot os Tefilin não são colocados

Véspera de Shavuot
Adornando a casa com folhagens e flores
Em Shavuot costuma-se enfeitar a casa e a sinagoga com frutas, flores e folhagens. O motivo disso é que na época do Templo Sagrado, os primeiros frutos da colheita eram oferecidos em Shavuot. Nossos Sábios relatam também que, embora o Monte Sinai se localizasse em um deserto, quando a Torá foi outorgada a montanha floresceu e muitas flores brotaram.
Antes de acender as velas no horário indicado para a sua cidade, lembre-se de deixar uma chama ou vela votiva pré acesa. Como há a proibição de fazer fogo no dia de Yom Tov e lembrando que você terá que acender novamente as velas no segundo dia de Shavuot, deverá fazê-lo transferindo o fogo da vela votiva ou desta chama, já que existe a permissão de manusear o fogo, mas não de criá-lo, riscando o fósforo ou de apagá-lo. No segundo dia de Shavuot , ao anoitecer, acenda as velas somente após o completo anoitecer .

Costuma-se comer alimentos à base de leite em Shavuot. Existem várias razões para este costume:

A partir da outorga da Torá, passou a valer a obrigação de cumprir as leis da Cashrut. Como a Torá foi outorgada no Shabat, nenhum animal podia ser abatido e nem os utensílios podiam ser casherizados, portanto neste dia come-se laticínios.

Outro motivo é que a Torá é comparada ao leite. A palavra hebraica para leite é “chalav”. Quando o valor numérico de cada uma das letras da palavra chalav são somadas (8+30+2), chega-se ao total de quarenta. Quarenta é o número de dias que Moshê passou no Monte Sinai, recebendo a Torá diretamente de D’us.

1º dia de Shavuot

Os Dez Mandamentos
Shavuot é o dia no qual celebramos a grande revelação da Outorga da Torá no Monte Sinai, no ano 2448. As almas de todos os judeus de todos os tempos juntaram-se para ouvir os Dez Mandamentos, transmitidos pelo próprio D’us.
Em Shavuot, na realidade, D’us está nos dando novamente a Torá. Por isso, o Rebe conclamou que todo judeu, homem, mulher, e especialmente crianças (até mesmo bebês recém-nascidos) devem fazer todo o esforço para estarem presentes numa sinagoga durante a leitura dos Dez Mandamentos.
O Livro de Ruth
Em muitas sinagogas lê-se o Livro de Ruth no segundo dia de Shavuot. Há vários motivos para este costume:
A – Shavuot é a data de nascimento e yahrzeit (dia de falecimento) do Rei David, e o Livro de Ruth registra sua ancestralidade. Ruth e seu marido Boaz foram os bisavós do Rei David.
B – As cenas de colheita, descritas no Livro de Ruth, são apropriadas ao Festival da Colheita.
C – Ruth foi uma convertida sincera que abraçou o judaísmo de todo o coração. Em Shavuot, todos os judeus foram como convertidos, tendo aceitado a Torá e todos seus preceitos.
Refeição de leite

No almoço, após o kidush, faça uma refeição festiva de laticínios. Espere no mínimo 1h de intervalo para realizar uma refeição de carne.

•Antes da refeição festiva da noite, recite o kidush de Yom Tov.
2º dia de Shavuot
Yizcor
Recita-se Yizcor em memória de entes queridos falecidos.
Antes da refeição festiva, recite o kidush de Yom Tov.

chabad central
*( Fonte: pt.Chabad.org

Lag Baômer 5778 – 3 de maio, 2018

Lag Baômer

lag-b-omer-5772-events

Lag Baômer significa “33º do Ômer,” pois este é o 33º dia da “Contagem do Ômer” que tem a duração de 49 dias, conectando Pêssach a Shavuot, e interligando a jornada dos judeus na saída do Êgito até a chegda ao Monte Sinai. No calendário judaico, este corresponde ao 18º dia do mês de Iyar.

Lag Baômer celebra a vida e os ensinamentos de dois dos mais notáveis Sábios da história judaica: Rabi Akiva e Rabi Shimon bar Yochai.

Rabi Akiva 
Rabi Akiva viveu na Terra Santa em uma das épocas mais difíceis de nossa história: a geração seguinte à da destruição do Templo Sagrado (no ano 69 da Era Comum) e a impiedosa perseguição dos judeus pelos romanos. Os Romanos proibiram o estudo de Torá e a prática do Judaísmo sob pena de morte. Rabi Akiva, que estudara com os maiores Sábios da geração anterior, desafiou os Romanos transmitindo o que havia recebido a seus discípulos, garantindo assim a sobrevivência da Torá. De fato, todo o corpo da Lei da Torá (mais tarde registrado na Mishná e no Talmud) pode ser seguido até os ensinamentos de Rabi Akiva e seus discípulos.

Até a idade de quarenta anos, Rabi Akiva foi um pastor analfabeto. Mas Rachel, a bela e piedosa filha do abastado cidadão de Jerusalém cujos rebanhos Akiva pastoreava, reconheceu seu potencial, e prometeu desposá-lo se ele devotasse a vida ao estudo de Torá. Ao pastorear as ovelhas de seu amo certo dia, Akiva encontrou uma pedra na qual havia sido cavado um profundo sulco por um fio de água. “Se gotas de água podem desgastar a rocha sólida,” pensou, “certamente as palavras de Torá terminarão por penetrar na minha mente.”

Akiva e Rachel casaram-se, e ele cumpriu sua promessa, dedicando-se ao estudo da Torá. Deserdados pelo pai de Rachel, os dois suportaram anos de pobreza e labuta; por fim, entretanto, o sacrifício foi recompensado: Rabi Akiva tornou-se o mais notável mestre de Torá de seu tempo, com 24.000 alunos. “Tudo aquilo que consegui, e tudo que vocês conseguiram,” disse a eles, “é pelo mérito dela.”

Morte entre os discípulos
Mas então uma tragédia ocorreu. A discórdia e os conflitos entre os discípulos de Rabi Akiva conduziram milhares à morte nas semanas entre Pêssach e Shavuot, dizimados por uma peste. É por este motivo que neste período não realizamos casamentos, cortes de cabelo, ou escutamos música.

Em Lag Baômer, o 33º dia da Contagem do Ômer tristeza e luto são suspensos por dois motivos: nesta data cessou a morte dos discípulos de Rabi Akiva e marca o dia de falecimento de Rabi Shimon bar Yochai. Seus ensinamentos revelaram a dimensão mística da Torá: a Cabalá, a “alma” do Judaísmo. Rabi Akiva reconstruiu sua grande Escola de Estudos de Torá, reiniciando com seus cinco discípulos sobreviventes: Rabi Meir, Rabi Yehudá, Rabi Yossi, Rabi Nechemia e Rabi Shimon bar Yochai.

Rabi Shimon bar Yochai 

Como Rabi Akiva, seu mestre, Rabi Shimon sofreu perseguição por parte dos Romanos, e sua cabeça foi colocada a prêmio. Rabi Shimon precisou esconder-se com seu filho, Rabi Elazar.

Foram até as colinas ao norte de Israel, e ocultaram-se em uma caverna onde estudaram Torá dia e noite. D’us realizou muitos milagres para eles: uma alfarrobeira cresceu na entrada da caverna para alimentá-los, e a água foi fornecida por uma fonte de água fresca. Eliyáhu, o profeta, apareceu a eles, ensinando-lhes os mistérios e segredos da Torá.

Após doze anos na gruta, Rabi Shimon soube que o imperador romano que havia decretado sua morte não vivia mais. O perigo havia passado; Rabi Shimon e seu filho podiam agora deixar a caverna.

Foi em Lag Baômer que Rabi Shimon e Elazar saíram da escuridão para a luz do sol. Era primavera, e os fazendeiros estavam atarefados nos campos, arando e semeando. Porém para Rabi Shimon, esta não foi uma visão bonita. Para ele parecia uma grande tolice, talvez um pecado. O tempo do ser humano neste mundo é precioso e breve – como podia desperdiçá-lo trabalhando a terra, quando poderia devotar-se aos esplendor da sagrada Torá de D’us?

Rabi Shimon havia desenvolvido notáveis poderes durante os doze anos na gruta, e agora, ao observar com ira esta visão indesejada, os campos e árvores irromperam em chamas. Ouviu-se uma Voz Celestial, dizendo: “Você saiu para destruir Meu mundo? Volte para sua caverna!” Portanto, Rabi Shimon e Elazar retornaram à gruta por mais um ano, mergulhando ainda mais na sabedoria Divina. Foi durante este décimo terceiro ano na caverna que descobriram o segredo mais profundo da Torá: que o propósito da Criação é “Construir uma morada para D’us no mundo físico.”

Aprenderam que embora o trabalho mundano do homem pareça grosseiro e inferior, a maior santidade está oculta dentro deste mundo físico. D’us deseja que transformemos o mundo material em uma morada para Ele. Uma vida totalmente devotada à Torá preenche esta finalidade, mas assim também o faz uma vida devotada a desenvolver o mundo material em conformidade com a vontade Divina. Não são todos que devem passar o tempo inteiro no estudo de Torá, como fizeram Rabi Shimon e seu filho.

Quando Rabi Shimon emergiu da caverna no Lag Baômer seguinte, não estava menos comprometido com o estudo de Torá; de fato, isso permaneceria sua “única ocupação” pelo restante de sua vida. Mas ele havia também aprendido a apreciar o valor dos caminhos na direção do cumprimento do propósito Divino, em vez do seu. Agora, seu olhar sobre o mundo curava, em vez de destruir.

Rabi Shimon Bar Yochai não apenas atingiu pessoalmente o mais elevado entendimento dos segredos da Torá, expressso em sua obra mística, o Zôhar, como tornou-se o mais ilustre mestre de Torá de sua geração. No último dia de sua vida, Rabi Shimon reuniu seus alunos e disse-lhes: “Até o dia de hoje, tenho mantido os segredos em meu coração. Mas agora, antes de morrer, desejo revelar todos eles.”

O Zôhar
O Zôhar, que significa “esplendor” ou “brilho”, tornou-se a base da espiritualidade ímpar da Chassidut, fundada no século XVIII por Rabi Yisrael ben Eliezer, o “Báal Shem Tov”, no Leste Europeu.

O Zôhar descreve o dia da morte de Rabi Shimon como repleto de grande luz e júbilo sem fim, e a sabedoria secreta que ele revelou naquele dia aos discípulos; tanto para o mestre como para os alunos, diz o Zôhar, foi como o dia em que o noivo e a noiva se rejubilam sob a canópia nupcial. Diz-se que o dia não chegou ao fim antes de Rabi Shimon revelar tudo que lhe fora permitido revelar. Apenas então o sol recebeu permissão de se pôr; e quando isso aconteceu, a alma de Rabi Shimon deixou seu corpo, subindo aos céus.

Rabi Abba, um aluno incumbido do trabalho de transcrever as palavras de Rabi Shimon, conta: “Eu nem ao menos conseguia manter a cabeça levantada, devido à luz intensa que emanava de Rabi Shimon. Durante todo o dia a casa esteve repleta de fogo, e ninguém podia chegar perto, por causa da parede de chamas e luz. No fim do dia, o fogo finalmente arrefeceu, e pude olhar a face de Rabi Shimon. O sol se punha e com ele a alma do mestre se elevava. Estava morto, envolto em seu Talit, deitado sobre o lado direito – e sorrindo.”

Rabi Shimon fora banhado em luz e fogo, pois a Torá é comparada ao fogo – “Aish HaTorá”. Fogo é o material que converte matéria física em energia. Assim também, a Torá nos mostra como transformar o mundo material em energia transcendente.

Rabi Shimon bar Yochai faleceu em Lag Baômer. Antes de morrer, instruiu os discípulos para observarem seu yahrzeit, data de seu falecimento, como um dia de muita alegria e festividades.

Uma profunda lição
Rabi Akiva ensinou que “Amar p próximo como a si mesmo” é um princípio cardinal na Torá; de fato, este é o mais famoso de seus ensinamentos.

Como explicar então a morte de milhares de seus discípulos que tornaram-se os maiores exemplos dos ensinamentos de seu mestre? Como puderam tornar-se deficientes nesta área tão vital?

O Lubavitcher Rebe explica que a própria diligência deles em cumprir o preceito “Amar o próximo como a si mesmo” foi sua ruína. Os discípulos de Rabi Akiva serviam a D’us com a máxima sinceridade e devoção. Assim parecia a cada um deles que seu enfoque individual era o correto e que aos outros faltava a perfeição tentando ajudá-los, mostrando seu pensamento individual.

Nossos Sábios disseram que “Assim como a face de cada pessoa difere das faces das outras, assim também a mente de cada pessoa é diferente da mente de seu próximo.” Quando os 24.000 discípulos de Rabi Akiva estudaram os ensinamentos de seu mestre, o resultado foi 24.000 diferentes nuances de entendimento, pois os conceitos foram assimilados por 24.000 mentes – cada uma sendo única e distinta das outras. Se os discípulos de Rabi Akiva tivessem amado menos uns aos outros, isso teria sido motivo para uma menor preocupação; mas devido ao fato de que cada discípulo esforçou-se para amar o condiscípulo como “a si mesmo” sentiu-se compelido a corrigir seu raciocínio e comportamento “errôneos”, e a esclarecê-los quanto ao verdadeiro significado das palavras de seu mestre.

Cada judeu dedicado a Torá e mitsvot, embora divirja em sua maneira de servir a D’us, deve agir com bondade e respeito, e julgar sempre favoravelmente aquele que ainda se encontra distante ou afastado.

Esta foi a verdadeira lição deixada por Rabi Akiva e Rabi Shimon, provavelmente o segredo mais profundo revelado da Torá: o serviço a D’us deve ser desempenhado com verdadeira inspiração e vitalidade amando ao próximo como a si mesmo e respeitando a individualidade.

Costumes

Arco e flechas
É costume levar as criancas a passeios a parques e espaços abertos para brincar com arcos e flechas. Conta-se que durante a vida de Rabi Shimon nenhum arco-íris apareceu no céu. O arco-íris é símbolo de falha humana: conforme relatado em Bereshit, D’us, após a destruição da geração do Dilúvio, prometeu que mesmo que a humanidade tornasse a ser imerecedora Ele colocaria o arco-íris no céu como um pacto de Seu voto de jamais destruir Seu mundo novamente. Mas enquanto Rabi Shimon estava vivo, seu mérito foi suficiente para assegurar que D’us não se arrependeria de Sua criação.

O ensinamento chassídico vê outra ligação do arco: ele funciona sob o princípio de “recuar para poder avançar” – ao empurrar a flecha para trás, rumo ao próprio coração, o arqueiro a impele a uma grande distância, para golpear o coração do inimigo. A essência mística da Torá, disseminada por Rabi Shimon, funciona pelo mesmo princípio. A pessoa deve mergulhar em si mesma, recolher-se a sua essência e lá descobrirá a “centelha Divina” que possui. Esta descoberta confere o poder de derrotar o adversário mais obscuro e transformá-lo em algo bom e positivo.

Corte de Cabelo em Meron

Durante o período do Ômer é proibido o corte de cabelos em sinal de luto pelas mortes dos discípulos de Rabi Akiva. Lag Baômer, entretanto, é um dia de júbilo, no qual todo o luto é suspenso. Por esta razão em Lag Baômer há sempre muitos garotos de três anos que estão esperando desde Pêssach para terem seu primeiro corte de cabelo.

A cidade de Meron recebe centenas de meninos para a cerimônia de opsherenish, reunindo milhares de pessoas que dirigem neste local preces o ano todo, especialmente nesta época do ano. É um grande mérito realizar aitsvá de corte de cabelo no local onde se encontram sepultados Rabi Shimon e seu filho Elazar.

Ovos cozidos

Costuma-se comer ovos cozidos em Lag Baômer, pois o ovo é sinal de luto – neste dia, em memória a Rabi Shimon Bar Yochai. Ainda em vida, ele pediu que esse dia fosse celebrado com muita alegria. Para cumprir seu pedido, enfeitamos as cascas dos ovos. Há o costume de serem cozidos com com cascas de cebola, a fim de deixá-los coloridos.

*(Fonte : Pt.Chabad.Org )

Uma Segunda Chance – Pêssach Sheni 5778 – 29 de Abril

 

Um ano após o êxodo do Egito, o povo judeu fez a oferenda de Pêssach no décimo quarto dia do mês de Nissan. Mas nem todos puderam realizá-la. A escritura relata (Bamidbar 9:6): “Havia alguns homens que estavam ritualmente impuros (pelo contato com mortos) e incapazes de preparar a oferenda de Pêssach naquele dia. Aqueles disseram: ‘Por que deveríamos ser privados de fazer a oferenda do Senhor no seu tempo marcado entre os filhos de Israel?’ Moshê respondeu: ‘Aguardem, e eu ouvirei o que o Senhor ordenará a respeito de vós’. D’us falou a Moshê: ‘Se qualquer pessoa de vós ou de vossas gerações futuras estiver ritualmente impura ou numa jornada distante, ainda assim fará a oferenda de Pêssach ao Senhor. Deverá efetuá-la no décimo quarto dia do segundo mês’…”

É dada uma nova oportunidade áquele que não ofereceu o sacrifício de Pêssach no tempo certo – 14 de Nissan – para fazê-lo no dia 14 de Iyar, data denominada de Pêssach Sheni, o Pêssach do segundo mês, no qual costuma-se, hoje em dia, comer um pedaço de matsá.

Embora o Pêssach Sheni fosse instituído para aqueles que não podiam ofertar o sacrifício de Pêssach no seu tempo certo, porque estavam impuros ou encontravam-se em locais distantes, o seu conceito se aplica a todos em todos os tempos – mesmo agora, quando o sacrifício de Pêssach não pode ser ofertado.

Uma lição clara de Pêssach Sheni é que a pessoa nunca deve perder a esperança. Nas palavras do Rebe anterior: “A idéia de Pêssach Sheni é de que ‘nada é irrecuperável’; sempre podemos retificar nosso comportamento. Mesmo alguém que estava ritualmente impuro ou ausente numa jornada distante – mesmo que voluntariamente – pode reabilitar-se.”

Um ser humano é intrinsecamente bom; sua alma é uma parte da centelha Divina. O pecado é uma antítese completa da sua natureza. Se ele chega a transgredir, isto é uma anomalia que não pode tocar o seu “eu” essencial. A pessoa pode estar temporariamente impuro, mas sua essência, é dos níveis mais elevados. Assim, nenhum pecado, nenhuma omissão do serviço a D’us, é irreversível. A pessoa pode sempre voltar à sua identidade real.

Pêssach é a única festividade que concede uma segunda chance, e isto porque Pêssach marca o nascimento da nação judia. O êxodo do Egito foi o início de um processo que culminou com a Outorga da Torá – a transformação dos judeus numa nação da Torá. Já que a oferenda de Pêssach está ligada com o êxodo, sua omissão significaria que o êxodo não foi completo. D’us por isto quis que cada um, mesmo aquele que deliberadamente não ofertou o sacrifício de Pêssach da primeira vez, ganhasse a oportunidade de fazê-lo – pois se não há nascimento, não há existência. A identidade da Torá estaria ausente.

 *( Fonte: pt.chabad.org)
%d blogueiros gostam disto: